ReproduçãoContra a leiNatálio Firszt, pai dos bebês, ameaçou ontem com uma foice a equipe de reportagem da TV Bandeirantes. Abaixo, reprodução mostra que registro de nascimento das crianças foi feito no cartório do Uberaba. Abaixo à direita, o deputado Praczyk, acusada de adoção ilegal

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Sicride vai interrogar
deputado Praczyk
O parlamentar e a mulher, Rosária Tobias Praczyk, devem responder por crime de registro falso de criança e por compra de bebês
James Alberti
De Curitiba
O delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert, disse ontem que irá interrogar o deputado estadual Edson da Silva Praczyk (PL) acusado de adotar ilegalmente os filhos da dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, e do operário Natálio Firszt, 29 anos, de Campo Largo. Marisa afirmou à polícia que foi forçada a doar os filhos e que em troca ganhou material de construção e cestas básicas.
Praczyk, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Paraná e pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, poderá escolher o dia, o local e a hora em que será interrogado, já que tem imunidade parlamentar. Caso se recuse a depor, o deputado poderá ser indiciado indiretamente.
A mesma escolha não tem a mulher do deputado, a dona de casa Rosária Tobias Praczyk, 36 anos. Ela foi intimada a depor na terça-feira, no Sicride. Sem imunidade, Rosária terá que explicar porque seu nome aparece como a genitora dos bebês Moisés Tobias Praczyk e Priscilla Tobias Praczyk, registrados no Cartório Distrital do bairro Uberaba, em Curitiba, conforme denunciou a Folha ontem. O próprio Praczyk confirmou ontem à Folha que a mulher não deu à luz as crianças.
Mauro FrassonO deputado e a mulher devem responder por crime de registro falso de criança, artigo 242 do Código Penal, e por compra de bebê, artigo 238 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Conforme Herbert, os acusados de intermediar a adoção vão responder pelos mesmos crimes. As penas somadas variam de três a dez anos de prisão e multa. No entanto, para processar o deputado, que é da base governista, o Tribunal de Justiça terá que obter autorização da Assembléia Legislativa. Antes disso, o Ministério Público terá que oferecer denúncia contra Praczyk.
Segundo o delegado do Sicride, o inquérito deve ser concluído em 30 dias. Herbert se negou ontem a fazer maiores comentários sobre o caso. O delegado não respondeu se há no processo documentos que comprovem os crimes do deputado, mas disse que os registros de nascimentos falsos são provas que devem incriminá-lo.
Nos documentos, as crianças são declaradas como filhas do deputado e de Rosária, o que configura crime de registro falso de criança. Os registros foram feitos no dia 22 de dezembro do ano passado, um dia depois das crianças terem sido retiradas da mãe. Os bebês teriam nascido, conforme os documentos, no dia 6 de novembro de 1998 na Rua José de Oliveira Franco, 1962, bairro Alto, em Curitiba, antigo endereço da família de Praczyk. Na verdade, somente a menina nasceu no dia 6. O menino nasceu no dia 5 de novembro, ambos na maternidade de Campo Largo.

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