Curitiba - Apesar de a fatalidade ser a única causa de alguns casos de desaparecimento de crianças, muitos outros poderiam ter sido evitados se algumas medidas de segurança simples fossem tomadas. Para orientar os pais, escola, a comunidade e as próprias crianças o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) lançou duas cartilhas. Nelas estão dicas de procedimentos simples que podem evitar raptos ou até mesmo eventuais fugas. Desde 1995, o Sicride registrou 760 casos de desaparecimento no Paraná, dos quais nove continuam sem solução. Porém ainda existem outros 13 casos sem solução, ocorridos antes da criação do Serviço, totalizando 22.
Uma das cartilhas é voltada para as próprias crianças. Ela é chamada o ABC da Segurança e tem um personagem chamado João Esperto. Didática e com figuras para as crianças colorir, ela traz oito recomendações importantes. A cartilha orienta as crianças a cobrarem dos pais que façam suas carteiras de identidade e exames para saber o seu tipo sanguíneo. Recomenda também que as crianças dêem atenção a detalhes como número de telefone e endereço de casa, saibam o local onde os pais trabalham e nunca andem sozinhas sem saber exatamente o caminho a percorrer. Dicas como não aceitar caronas, doces e contar tudo de estranho que aconteceu para os pais também estão no livreto.
''A gente manda estas cartilhas principalmente para as escolas. Como ela é em preto e branco, enquanto a professora explica o conteúdo as crianças vão pintando. Quem tem criança ou trabalha com criança pode pedir que enviamos'', explicou a delegada do Sicride, Márcia Tavares. Além da cartilha, a delegada dá algumas recomendações importantes para as crianças. ''É preciso ensiná-las a fazer ligações a cobrar e orientá-las a sempre procurar um policial fardado caso estejam perdidas'', sugeriu.
O folder voltado para os pais começa com uma justificativa interessante. As pessoas estão sempre preocupadas e tomam precauções com seus bens materiais, com a segurança pessoal, mas muitas vezes esquecem que é preciso ter maior cuidado com os filhos. Para os pais, as principais dicas dizem respeito a não descuidar do filho, nem por poucos minutos, conhecer todas as pessoas que convivem com a criança, providenciar documentos e ter um relacionamento de confiança, sem ser muito rígido ou flexível demais. ''No fim do ano é quando aumenta o índice de desaparecimento. Isso porque as crianças reprovam e ficam com medo dos pais. Por isso a importância de um bom relacionamento'', explica a delegada. Segundo Márcia, a grande maioria dos casos de desaparecimento acontecem porque a criança fugiu de casa. Em 2003, exemplificou a delegada, 70% dos casos foram por este motivo.
Além de orientar os pais, o folder traz recomendações para a escola, como ficar atento à pessoas estranhas rondando o local e não permitir que a criança seja levada embora por um estranho.

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