Sicride investiga nova venda de criança
Este é o quarto caso que vem a público em menos de uma semana. Informações sobre última negociação são mantidas em sigilo
Fotos: Albari RosaInvestigaçãoO delegado Harry Herbert acredita que não haja ligação entre os crimes, embora eles sejam semelhantesJames Alberti
Um novo caso de venda de criança na Região Metropolitana de Curitiba foi denunciado ontem ao Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) do Paraná. É o quarto caso que vem a público em menos de uma semana, envolvendo cinco crianças. O delegado do Sicride, Harry Herbert, negou-se a fornecer detalhes sobre a negociação do bebê. Ele também não informou a cidade onde o fato ocorreu. Ontem, agentes do Sicride trabalharam nos outros três casos, divulgados anteontem pela Folha.
Segundo Herbert, a polícia identificou o casal que intermediou a venda do filho da servente Maria Nascimento Silva, 38 anos, de Pontal do Paraná (leia ao lado). O Sicride, porém, não avançou nas investigações da venda da filha de Elisabete Souza Brandão, de Campina Grande do Sul. O caso foi denunciado pelo irmão de Elisabete, Marcelo Brandão. Conforme ele, a criança nasceu no dia 9 do mês passado e foi entregue dois dias depois para uma mulher, de nome Magda, e um homem não identificado, que dirigia um Golf. Segundo Brandão, o casal morava em Joinville (SC).
Marisa Maia acusa o marido, Natálio Fister, e a cunhada, Izinha Carneiro, de terem agenciado a entrega dos filhos. Na troca, a mãe recebeu material de construçãoEm Campo Largo, a dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, confirmou à Folha que teria recebido materiais de construção e a promessa de que ganharia cestas básicas se doasse um casal de gêmeos. As crianças nasceram no dia 5 de novembro do ano passado e teriam sido negociadas 18 dias depois. Contraditória, Marisa afirma que não queria entregar os filhos e acredita ter sido enganada pelos agenciadores. Segundo ela, uma mulher que se identificou como advogada e um homem a teriam ameaçado para que desse os filhos. A própria dona de casa, porém, diz que, em determinado momento, falou ao casal - que diz não conhecer - que poderia levar os bebês, desde que ela fosse levada à casa da mãe, em Piraquara.
Chorando, Marisa afirma que sente falta das crianças e acusou a família do marido de ter agenciado a entrega dos filhos. O marido de Marisa, o servente Natálio Fister, 29 anos, no entanto, afirma que ela não queria cuidar das crianças. Fister diz que tinha se desentendido com a mulher e que ela ameaçou matar os filhos. O auxiliar confirmou que o casal que levou os bebês iria fazer uma casa para Marisa, mas negou que ela tenha recebido cestas básicas. Segundo Fister, os agenciadores teriam chegado até Marisa através da cunhada Izinha Carneiro, 27 anos, casada com o irmão do auxiliar (leia abaixo).
Com uma nota de materiais de construção, que teriam sido comprados para a dona de casa, anexada ao inquérito, o delegado do Sicride acredita ter ficado evidenciado o crime. A princípio, Herbert acredita que não haja ligação entre os crimes, embora haja semelhanças na forma de abordagem de, pelo menos, dois casos. Tanto em Pontal do Paraná como em Campo Largo os casais que levaram as crianças teriam oferecido material de construção, alimentos e prometido melhorar a vida dos irmãos das crianças adotadas ilegalmente.

mockup