Lidianópolis - O ursinho "Nenê" compõe o altar com alguns santos e a Biblía que a mãe, Neusa de Assis, armou na porta de entrada da casa simples de madeira, de onde a garotinha Ariele Botelho, de pouco mais de dois anos, desapareceu na manhã da última sexta-feira, na zona rural de Lidianópolis (região do Vale do Ivaí). Ontem, o Corpo de Bombeiros deu prosseguimento às buscas e uma equipe do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) assumiu o caso, classificado como desaparecimento.
Abatida, Neusa reafirmou que viu a filha pela última vez por volta das 9 horas do dia 15, quando a garotinha teria saído para o quintal chamando pela prima, de 16 anos. Cerca de 15 minutos depois, a menina não foi mais vista e a família teria passado a procurá-la por toda a propriedade, sem sucesso. "Desde a hora em que ela desapareceu estamos pedindo socorro. Para mim, minha filha deve ter saído para a estrada e foi levada por alguém. Ou então ela caiu no rio, que fica a uns 200 metros de casa", cogitou Neusa. A menina usava blusa rosa de lã, calça marrom, sandálias brancas e estava sem fraldas quando desapareceu.
A adolescente relatou que havia saído com Ariele para buscar laranja em um pomar próximo da casa, mas na metade do caminho a menina teria começado a chorar e pedir pela mãe. "Deixei ela em casa com a mãe e voltei para pegar as laranjas", continuou a adolescente, que disse ter ouvido o choro da criança em seguida. "Mas, de repente, parou", concluiu a jovem, que foi ouvida pelo Sicride. O avô de Ariele, José de Assis, confirmou que estava com a netinha dentro de casa quando a adolescente teria entrado e levado a menina, dizendo que iria apanhar laranjas. A mesma história foi contada no primeiro dia ao comandante do Destacamento da PM em Lidianópolis, sargento Vanderlei Lopes. "Trabalho aqui desde 1994 e isso nunca havia acontecido".
Um dos primeiros a chegar ao local, na tarde de sexta-feira, o policial militar da reserva Carlos Eduardo de Souza contou que todos os buracos, moitas, plantações, matas, represas, córregos e casas (até as abandonadas) foram vasculhados num raio de cerca de oito quilômetros a partir da casa da família. Ele disse que os cães farejadores teriam se concentrado em pelo menos três pontos mas nenhum vestígio foi encontrado. No meio da manhã de ontem, os policiais e o Conselho Tutelar receberam o reforço de dois investigadores do Sicride, que assumiram as investigações. Eles ouviram primeiro a adolescente e o irmão dela, de 14 anos. "Por enquanto, estamos tratando como um caso de desaparecimento mas precisamos ouvir todos da família para tentarmos esclarecer os fatos", destacou o investigador Édson Luiz Facchi.

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