James Alberti
O servente de pedreiro Eduardo Aparecido dos Santos, 19 anos, e o lavador de carros Valdecir Félix, 29 anos, acusados de participar do sequestro da menina Maria Angélica Kanap, 2 anos, apresentaram-se ontem, às 8 horas, no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). Eles eram os únicos dos cinco envolvidos no crime que ainda não haviam se apresentado. Após o depoimento, os acusados foram liberados.
Tanto Félix quanto Santos, que foi levado ao Sicride pelo pai, Aparecido Alves dos Santos, confessaram participação no sequestro, ocorrido na segunda-feira da semana. Segundo o delegado do Sicride, Harry Herbert, eles disseram ter participado do crime porque eram amigos do marceneiro Márcio Tote da Silva, que é pai biológico da criança e planejou o crime. Também participaram do sequestro a mulher de Márcio e mãe biológica da criança, a dona de casa Nilza Aparecida Bueno, 18 anos, e o operador de produção, Ronaldo José Silva Macedo, 19 anos. A exemplo de Santos, Ronaldo foi forçado pelo próprio pai, Geraldo Lopes de Macedo, a se apresentar.
O delegado do Sicride considerou os acusados como ‘‘uns guris’’. ‘‘Não são bandidos. Foi coisa de momento, mas não se pode relevar’’, afirmou. Todos foram indiciados por sequestro, cárcere privado e formação de quadrilha. Eduardo, Silva e Ronaldo respondem ainda por porte ilegal de arma.
Herbert também indiciou o contador Reinaldo Kanap e sua mulher, Marisa, que há um ano e oito meses adotaram Maria Angélica de forma ilegal. Em novembro de 1997 o casal registrou a menina em seu nome, embora ela já tivesse sido registrada por Nilza. Por causa disso, os Kanap foram enquadrados no artigo 242 do Código Penal, por falso registro, e podem pegar de dois a quatro anos de reclusão.

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