James Alberti
De Curitiba
O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) tem se tornado uma exceção entre as unidades da Polícia Civil do Paraná. A explicação pode estar na análise dos números relativos as ações do órgão desde sua criação em 10 de agosto de 95: dos 402 casos registrados, apenas dois não foram solucionados. Ao contrário da maioria das delegacias, que apresentam pífios resultados e, por isso, sofrem com a falta de respaldo da sociedade, o serviço conquista o respeito da população, de chefes de estados brasileiros e de países da América Latina.
Frequentemente, o Sicride é citado em publicações da Interpol (Polícia Internacional) como exemplo no combate e repressão a sequestros e desaparecimentos de crianças no Estado e chamou a atenção de países latino-americanos, como Chile e Argentina, e de estados brasileiros, entre eles Santa Catarina, Bahia e Rio de Janeiro. Governantes desses locais têm pedido informações e mandado missões a Curitiba para verificar a experiência local e repetir o modelo em outras terras.
Subordinado diretamente ao delegado geral, João Ricardo Képes Noronha, o serviço passou da condição de gata boralheira à menina dos olhos da atual gestão da secretaria de Segurança Pública, sendo a única instituição policial do Estado a receber destaque internacional, em Budapeste, capital da Hungria, em novembro de 97. Em outubro de 98, em Ottawa, no Canadá, o órgão foi apontado novamente como exemplo para representantes de 40 países. ‘‘Realmente foi uma coisa que deu certo’’, disse o secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. ‘‘De certa maneira, foi uma surpresa.’’
Antes desses louvores, porém, houve relativa resistência à criação da entidade, sob a justificativa de que traria aumento de despesas à administração policial. Somente depois de forte mobilização do Movimento Nacional em Defesa das Crianças Desaparecidas, criado em 92, e de uma proposta do deputado Ricardo Chap é que o Sicride saiu do papel.
Chab, na verdade, propôs e aprovou na Assembléia Legislativa a criação de uma delegacia especializada em crimes contra crianças, mas o projeto foi vetado pelo governador Jaime Lerner. Instituída a polêmica, a saída do governo foi criar um serviço de investigação. ‘‘A criação de uma delegacia não era fundamental, mas sim um setor ligado ao secretário e com autonomia’’, disse Cândido Martins. Sem status de delegacia, o órgão penar com a falta de estrutura desde o começo (leia texto abaixo).
Inegável é que a dedicação do delegado do Sicride, Harry Herbert, e de um grupo pequeno de agentes superou as limitações estruturais. ‘‘O Sicride vem sendo muito bem conduzido pelo delegado. É um homem inteligente e conta com a dedicação dos policiais’’, elogiou o delegado geral. ‘‘O importante é que não é só um trabalho de resposta contra o crime’’, disse Ricardo Noronha. ‘‘O Sicride se transformou num ponto de apoio a delegacias do Brasil que trabalham em casos que envolvem crianças.’’ Para ele, os casos de sequestro e desaparecimento de crianças podem diminuir apenas por ser notório para a sociedade que haja uma instituição com tais resultados.O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas resolveu 400 dos 402 casos registrados nos cinco anos de atividade
Arquivo FolhaSUCESSOPolicial em ação na solução de um caso de possível sequestro de criança. Sicride conquistou reconhecimento internacional em cinco anos

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