Curitiba - O Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride) divulgou ontem a imagem digitalizada de Guilherme Caramês Tiburtius, desaparecido há 11 anos. A fotografia atualizada tomou como base cerca de 200 fotos de familiares do pai e da mãe de Guilherme. O arquiteto Roberval Coutinho contou que o trabalho foi minuncioso. ‘‘Foram meses de trabalho. Só consegui fazer esse envelhecimento da imagem de Guilherme pela riqueza de fotos de familiares que me foi entregue’’, disse ele.
Guilherme desapareceu no dia 17 de junho de 1991, quando tinha oito anos. Ele brincava de bicicleta na frente da casa dele. Pouco antes de desaparecer, o menino foi chamado pela avó que pediu que entrasse para se arrumar e ir para a escola. ‘‘Meu filho foi levado por alguém, tenho certeza. Continuo na minha luta. Tenho esperança de encontrá-lo. Até hoje ninguém me provou que ele não esteja vivo’’, afirmou a vereadora Arlete Caramês, presidente do Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida e mãe de Guilherme.
O Sicride foi criado em 1995 e desde então é o responsável pela investigação dos casos de desaparecimentos de crianças de até 12 anos. As investigações demonstraram indícios de que Guilherme teria sido levado para fora do País. Foram verificados países como Bolívia, França e Bélgica, mas nada foi confirmado. ‘‘Não desistimos. Com o tempo muita informação se perde, mas temos o apoio da Interpol (polícia estrangeira) no Exterior para tentar encontrar os desaparecidos’’, salientou o delegado Harry Herbert, titular do Sicride. As fotografias de Guilherme atualizadas serão distribuídas em todo o Brasil e entregues para que a Interpol faça a divulgação no Exterior.
Desde ontem, o Movimento Nacional de Crianças Desaparecidas está distribuindo 50 mil panfletos nas principais ruas de Curitiba. Os panfletos trazem dicas de prevenção para que os pais evitem que os filhos fiquem sozinhos e estejam sujeitos a sequestros. Os últimos casos de desaparecimento de crianças no Paraná foram registrados em 1997 (Kelly Cristina da Silva, de seis anos) e em 2001 (Leonardo Melo e Silva). No caso de Leonardo, o Sicride conseguiu localizar e identificar os sequestradores, que estavam na Argentina. O caso teve que ser transferido para a Interpol.

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