James Alberti
De Curitiba
O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) descartou anteontem a possibilidade da menina Sandi Carolina da Silva Correia, 5 anos, ser Letícia Moraes de Oliveira, que desapareceu em 9 de agosto de 95 do sítio da família, que reside em Iporã, Noroeste do Estado. Letícia, que tinha 3 anos na época, é uma das 12 crianças desaparecidas no Paraná antes da criação do Sicride.
Fotografia de Sandi Carolina ilustrou reportagem da Folha, publicada no dia 26 do mês passado, sobre uma invasão de área na Vila Tupy, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. A foto, feita de forma aleatória por repórter deste jornal, chamou atenção de funcionários do Conselho Tutelar de Iporã, que notaram semelhanças entre a fisionomia de Sandi e da menina desaparecida.
Tal semelhança foi comunicada ao Sicride, que passou a investigar a procedência da família de Sandi. Acompanhada de advogado, a mãe da menina, a diarista Valdirene Ochesck da Silva, esteve no Sicride anteontem levando documentos que comprovam que Sandi é sua filha. Como a menina ainda não tem registro de nascimento, Valdirene mostrou documento entregue pelo Hospital Santa Isabel, da Vila Nossa Senhora da Luz. O papel mostra que Sandi nasceu naquele hospital, de parto normal, às 4 horas do dia 25 de janeiro de 95.
As semelhanças físicas também não seriam tão grandes quanto pareciam, segundo observou o superintendente do Sicride, Renato Ferreira. A peça-chave para solucionar o desaparecimento de Letícia pode ser um primo dela, Luiz Fabrício Cavalcanti da Fonseca, 19 anos. O jovem é apontado por Ferreira como suspeito pelo sumiço da criança. Há a possibilidade da menina ter sido morta, embora a família não aceite tal hipótese.
Fonseca passava uma temporada na casa dos pais de Letícia quando ela desapareceu. No dia do desaparecimento, foi preso acusado de roubo de carro em Alagoas, estado onde vivia. Colocado em liberdade dias depois, quando o mandado de prisão foi revogado, o rapaz desapareceu. Conforme o superintendente do Sicride, ele nem chegou a ser interrogado sobre o desaparecimento de Letícia.