Siate pede compreensão e passagem a motoristas das ruas londrinenses
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quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Lucília Okamura 
No mês passado, uma equipe do Siate foi atender a uma ocorrência na avenida Duque de Caxias (área central) e, apesar de pedir passagem, os veículos não saíram do caminho. Um socorrista teve que descer da ambulância e pedir aos motoristas que facilitassem o deslocamento da equipe.
Casos como esse são citados pelo comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Ubirajara Dias Paredes, para mostrar que a grande dificuldade do Siate hoje é o deslocamento, principalmente em vias movimentadas e em horários de rush. Ele explica que os atendimentos efetuados pelo Siate vêm aumentando a cada mês e que, apesar de a população conhecer o serviço, ainda não está consciente da importância de dar passagem às viaturas. O Siate funciona junto ao Corpo de Bombeiros, na rua Jaguaribe (área central).
A dificuldade de deslocamento não é exclusiva das ambulâncias do Siate, atinge também as viaturas dos bombeiros. Mas o coronel Paredes explica que, como o Siate sai com mais frequência, sente mais o problema. As viaturas dos bombeiros são maiores e mais pesadas, têm mais facilidade para abrir caminho.
Coronel Paredes informa que o tempo para o Siate chegar ao local da chamada varia conforme a distância, mas são gastos, em média, de 4 a 6 minutos. Ele acredita que se os motoristas facilitassem o deslocamento, o ganho poderia ser de um a dois minutos. Pouco tempo, mas que pode ser fundamental para um bom atendimento.
Na opinião do comandante do Corpo de Bombeiros, os motoristas geralmente não dão passagem para as ambulâncias pelo desconhecimento da gravidade do fato. Eles precisam se conscientizar que, quando o Siate está com a sirene ligada, pedindo passagem, é porque está indo salvar alguém ou levando alguma vítima para o hospital. Ele ressalta ainda que as vias públicas não são largas o suficiente para permitir que o tráfego possa fluir facilmente.
Além da avenida Duque de Caxias, os socorristas citam a rua Pernambuco, as avenidas JK e Higienópolis (todas na área central) como exemplos de vias onde encontram dificuldades de deslocamento. Um socorrista lembra que uma vez a ambulância não conseguiu atravessar o pontilhão da avenida JK e ele teve que descer o barranco e atravessar a via a pé para socorrer a vítima do outro lado.
Criado no dia 17 de junho, o Siate havia atendido até anteontem 1.651 ocorrências, sendo 832 acidentes de trânsito (50,39% do total). Neste mês, a média de atendimentos é de 13 por dia. Apesar do objetivo do Siate ser realizar atendimentos a traumas, muitas vezes ele é chamado também para socorrer casos de intoxicação, hemorragia, enforcamento e tentativa de suicídio.
Coronel Paredes reconhece que às vezes é difícil para a população averiguar se o caso é grave ou não. Mas ele explica que é preciso tomar o cuidado para que a equipe não seja acionada sem razão. Paredes lembra que o Siate já foi chamado para socorrer pessoas que estão caídas no chão. Quando a equipe chega lá, descobre que a vítima está embriagada ou apenas dormindo, conta.
A equipe do Siate é formada por 10 médicos, 33 socorristas (bombeiros que fizeram cursos para trabalhar no setor), três enfermeiras, quatro auxiliares de enfermagem. Ao todo, são seis ambulâncias. Um grupo de 17 novos socorristas está sendo treinado e deve concluir o curso no início de dezembro.


