Siate e Tec são criticados por morte
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2000
Carolina Avansini De Londrina 
A morte de uma pessoa por infarto agudo do miocárdio anteontem, em Londrina, impulsionou uma discussão sobre os serviços de emergência na cidade. Apesar da existência do Serviço Integrado de Atendimento a Traumas Emergenciais (Siate) e do Transporte Emergencial Centralizado (TEC), não há nenhum atendimento específico para casos de emergências clínicas.
Anália Fernandes Moreira Lopes, 71 anos, morreu por volta das 10 horas. Cardíaca, ela começou a passar mal no edifício Taquari (centro de Londrina), onde tinha ido pegar uma guia de internamento para se submeter a um cateterismo. Ao encontrá-la caída, o segurança Dejalma Antônio Santos Gonçalves ligou para o Siate e foi informado que o atendimento era reponsabilidade do TEC, que também foi chamado.
Como a ambulância demorou, Anália acabou sendo levada em um carro particular, falecendo no hospital. O sargento Euclides Tadeu da Silva, que atendeu o chamado no Siate, disse ter pedido para a pessoa do outro lado da linha se informar sobre as circunstâncias, chamar o TEC ou voltar a ligar. As pessoas não costumam passar as informações necessárias e oferecer subsídios suficientes para fazermos a triagem. Se atendessemos todas as ligações que recebemos a cada plantão, o serviço não teria como funcionar, explicou.
Eu deixei bem claro que ela era cardíaca e estava tendo um infarto, mas mesmo assim o Siate não atendeu. No TEC, me orientaram a chamar o Siate, disse Dejalma.
Para o diretor-médico do Siate, César Marson, esse tipo de problema acontece porque Londrina não tem serviço especializado para atendimento clínico de emergência. Segundo ele, o Siate foi criado para socorrer vítimas de traumas.
Segundo Marson, o vácuo no atendimento clínico de emergência acabou sendo preenchido pelo Corpo de Bombeiros, apesar do Siate trabalhar no limite para atender sua função original. De acordo com ele, existe um projeto para preencher a lacuna, através da ampliação do Siate ou criação de um novo serviço.
Já o TEC existe apenas para transportar pacientes que não correm risco de vida, segundo informou Renata Baldo, diretora-executiva do Serviço Municipal de Saúde. Apesar do motorista da ambulância ser treinado dar este tipo de atendimento, não é especializado. Implantado em 1996, o Siate trabalha com cinco ambulâncias. Cada equipe de plantão possui um médico e dois socorristas do Corpo de Bombeiros, que prestam atendimento 24 horas. As sete ambulâncias do TEC também atendem a qualquer hora do dia, com 25 motoristas se revezando em serviço.


