Siate completa dois anos no interior
O rápido atendimento consegue reduzir em 40% as
mortes que ocorriam até uma hora após os acidentes
DivulgaçãoSiate atua em seis cidades do Paraná e é modelo de serviço pré-hospitalar para os outros Estados do Brasil
O Siate já é referência
para o atendimento ao
trauma. Modelo vai ser
levado a outros Estados
Da Redação
O Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma (Siate) está completando dois anos de trabalho no interior do Paraná e oito anos em Curitiba. Operado através de um convênio entre as secretarias estaduais da Saúde e da Segurança e as prefeituras dos municípios, o Siate Paraná está conseguindo reduzir o número de mortes e o sofrimento das vítimas de trauma.
No Estado, como em todo o País, a principal causa de morte violenta é o acidente de trânsito. E as estatísticas revelam que para cada morte no trânsito são registrados dois casos de invalidez permanente. O rápido e eficiente atendimento proporcionado pelo sistema registra números extremamente positivos: o Siate consegue reduzir em até 40% a mortalidade entre vítimas que, antes do serviço, acabavam morrendo no período de uma hora imediatamente após o acidente.
O Siate Paraná opera em Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, São José dos Pinhais, Ponta Grossa e Maringá. E está em processo de implantação em Cascavel e Guarapuava.
O governo do Estado investe entre R$ 600 mil e R$ 700 mil na implantação do serviço em cada município. Este valor é usado para a aquisição de ambulâncias, equipamentos médicos, recursos humanos do Corpo de Bombeiros e treinamento de médicos. Entre 1995 e 1997, o governo aplicou quase R$ 3 milhões em ambulâncias e R$ 660 mil em material de consumo e equipamentos.
O município se encarrega da aquisição de medicamentos, contratação de médicos e de enfermeiros e da manutenção do sistema. E pode ter o custo reduzido com o financiamento do SUS, que paga pelos serviços prestados pelo pronto atendimento do Siate.
Com exceção de Curitiba, que conta com 23 médicos e oito ambulâncias, os outros municípios têm número idêntico de pessoal: uma equipe de 10 médicos, dois enfermeiros e mais os socorristas do Corpo de Bombeiros. O que varia é a quantidade de ambulâncias usadas no serviço. Londrina tem cinco; Foz do Iguaçu tem quatro e São José dos Pinhais, três. Ponta Grossa e Maringá operam com quatro ambulâncias cada uma. Quando for implantado, em julho, o Siate de Cascavel terá quatro ambulâncias, e o de Guarapuava, previsto para fim de agosto, deverá contar com três.
A Secretaria da Saúde, com o apoio da equipe do Siate de Curitiba, organiza a instalação das unidades e prepara o treinamento da equipe. Os socorristas passam por um curso de quatro meses, aprendendo primeiros-socorros e um atendimento mais complexo, que inclui o controle de hemorragias externas e remoção de vítimas em locais de difícil acesso.
Os médicos têm um treinamento complementar entre 40 e 80 horas, dependendo da sua especialidade. Geralmente, os médicos que trabalham no Siate são especialistas em cirurgia, medicina intensiva, trauma e anestesia.
A credibilidade do atendimento foi a maior conquista que o Siate obteve nos oito anos de atividade em Curitiba e nos dois anos em que passou a operar também no interior. Só na capital, o serviço atende uma média de 25 ocorrências em dias normais e 50 nos finais de semana, somando mais de 60 mil nos oito anos de atividade.
O Siate de Londrina atende uma média de 18 ocorrências diárias. Foz do Iguaçu, São José dos Pinhais, Ponta Grossa e Maringá estão na faixa de 15 chamadas diárias.
A escolha das cidades para a instalação do Siate foi feita através de um estudo que levou em conta fatores como população, número de acidentes de trânsito, taxa de mortalidade e malha viária. ‘‘Geralmente, as cidades com menos de 150 mil habitantes não têm necessidade de um serviço como este’’, explica o coordenador estadual do Siate na Secretaria da Saúde, Vinicius Augusto Filipak.
O Siate é uma referência para o atendimento ao trauma no Brasil. O Conselho Federal de Medicina, órgão responsável pela fiscalização e normatização dos serviços médicos no país, decidiu adotar o modelo de atendimento de emergência às vítimas de acidentes do projeto Siate Paraná. O conselho e mais o Ministério da Saúde e o Siate estão trabalhando em conjunto para a criação de normas de funcionamento de serviços pré-hospitalares, que não existem hoje no Brasil.
No próximo semestre, o Conselho Federal de Medicina vai publicar a resolução com as normas e o Ministério da Saúde deverá recomendar a sua adoção em todo o País. Alguns Estados já enviaram representantes para conhecer de perto o Siate Paraná. ‘‘Recebemos técnicos e autoridades de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Ceará, Alagoas e Pará, que vieram conhecer a estrutura do Siate’’, lembra Filipak. O modelo paranaense ajudou a compor o projeto de atendimento pré-hospitalar desses Estados.

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