Curitiba Um show de rock promovido no sábado à noite em Curitiba terminou em tragédia. Três adolescentes foram mortos e 26 ficaram feridos, sendo dois eles internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico. Os adolescentes se envolveram em um empurra-empurra, que terminou em pisoteamento num dos portões de entrada do Jockey Clube de Curitiba, local onde foi realizado o show ''Unidos pela Paz'', com as bandas Raimundos, Tijuana, Natirods e Charlie Brow Jr.
A delegacia de Homicídios abriu inquérito para investigar as causas do tumulto e decretou a prisão preventiva de um dos promotores do evento, o empresário Ataíde Oliveira Neto. Até o final da tarde de ontem, ele não havia se apresentado e a polícia já dava o empresário como foragido. O secretário de Estado da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul e presidente do Jockey Clube, Luiz Mussi nega que se filho Luiz Fernando Mussi seja um sócios da empresa que promoveu o show.
Segundo Mussi, seu filho é amigo de Ataíde e o que Luiz Fernando fez foi ''a ponte entre o empresário e a direção do clube para alugar o local''. O Jockey foi alugado por R$ 7 mil. Mussi disse que sob sua direção, o Jockey não será mais alugado para shows de rock porque ''corre muita bebida, maconha e drogas e acaba dando no que deu'', lamentou.
Morreram pisoteados os adolescentes Jonathan Raul dos Santos, 15 anos, Larissa Seletti, 15 anos e Mariá de Andrade Souza, 14 anos. Para o Hospital Evangélico foram encaminhados 14 vítimas, entre elas uma adolescente de 12 anos. Na UTI do Hospital estavam M.S.T. e outro jovem não identificado, com risco de vida. A maioria das vítimas tiveram fraturas. Para o Hospital Evangélico foram encaminhadas oito vítimas e duas para o Hospital do Trabalhador, já liberadas.
Segundo a Polícia Militar, a corporação não foi chamada a fazer o policiamento no local e só foi chamada quando aconteceu o tumulto. A PM deslocou 100 homens para a operação e constatou um grande número de jovens embriagados, o que dificultou o socorro às vítimas. Segundo a jovem Thelma Regina Rossa, que estava no local, a venda de bebidas aos jovens era liberada e ninguém pedia identidade. Ela disse que estava no portão na hora do tumulto e quando viu já estava dentro do local onde estava acontecendo o show. ''Fui arrastada'', disse.
A PM acha que o número de ingressos vendidos era superior à capacidade do local. A Folha apurou que foram vendidos 30 mil ingressos. Ocorre que o local comporta até 60 mil pessoas, garantiu Mussi. Ele disse que o Jockey já foi alugado para o show da dupla Bruno e Marrone, no qual compareceram 60 mil pessoas. Mussi atribui o excesso de pessoas nos portões de entrada à ação de cambistas e falsificadores que ''falsificaram os bilhetes e venderam a preço barato''. Até o dia 18 de maio, o ingresso era vendido por R$ 15,00, depois passou para R$ 20,00 e no dia do show era vendido por R$ 25,00.

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