Shopping é invadido durante protesto
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quinta-feira, 12 de julho de 2007
Adriana Ito e Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Durante o tumulto criado pelo protesto dos camelôs no Centro de Londrina, ontem, a maioria das lojas baixou as portas. O Royal Plaza Shopping também foi fechado pelos manifestantes. Uma das portas de vidro da entrada da rua Maranhão foi quebrada, e, segundo informações de funcionários das lojas do primeiro piso, um segurança do shopping foi agredido. ''Eles entraram gritando, mandando a gente fechar as lojas se não eles iam quebrar tudo. Chutaram cinzeiros, quebraram até a porta do meu quiosque'', relatou uma vendedora.
''Reforçamos a segurança e pedimos a presença da polícia. Teremos prejuízo, mas temos que preservar a segurança das pessoas'', afirmou Luiz Roberto Parizotto, superintendente do Royal Plaza.
Alunos de um cursinho que funciona dentro do shopping também se mostraram bastante assustados com a ação. ''Eles não podem trabalhar e também não querem deixar ninguém fazer isso. Tudo bem eles se manifestarem, mas acho que eles não têm direito de ameaçar pessoas e destruir o patrimônio alheio'', avaliou o estudante Shamir Jean Giupatto, complementando que, para ele, caberia à prefeitura regularizar a situação. ''É meio contraditório. A prefeitura deixa que eles trabalhem como camelôs e agora a Polícia Federal faz isso. Eles têm direito de reivindicar.''
O gerente de loja José Renato Rodrigues concorda. ''Conheço algumas pessoas de lá do camelódromo, e a maioria trabalha com nota fiscal. Então acho que não seria errado se essa operação ocorresse em outras lojas, e até mesmo aqui no shopping'', sugeriu.
''Essa questão tem dois lados: o governo quer arrecadar impostos, mas o cidadão quer trabalhar e não tem emprego'', avaliou um homem que trabalha como vendedor em uma loja no Camelódromo e acha que vai ficar desempregado. ''Muita gente vai perder o emprego, e isso não vai adiantar nada. Daqui a pouco eles se reorganizam e vão voltar a vender nem que seja nas ruas. Porque não tem indústria, não tem emprego na cidade'', previu. Ele criticou a ação policial, dizendo que as punições deveriam começar dentro do poder público. ''A gente pode estar errado, mas depende disso para viver. O Renan Calheiros, os políticos que ficam desviando grana, também estão todos errados. Tinha que consertar de cima para baixo. Eles tinham que governar pelo povo e para o povo, e não se servir do povo'', comentou, resignado.
Saindo do shopping, os camelôs, resolveram atacar a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), que funciona no primeiro andar de um prédio próximo. Eles invadiram o edifício mas não chegaram a entrar na entidade. Na confusão, a placa da sede da Associação foi quebrada.
O presidente da entidade, Rubens Benedito Augusto, disse que apesar dos prejuízos sofridos pelos comerciantes com o protesto, a entidade aprova a operação. Segundo ele, toda a manifestação foi monitorada por representantes da Acil, que acompanharam a ação dos policiais no Calçadão de perto.
''Os que quiseram fechar, fecharam, mas não tínhamos como impedir os que quiseram permanecer abertos de abrir as portas'', disse Augusto. ''Só posso pedir calma para os comerciantes. Eles devem ter tranquilidade porque a ameaça dos camelôs é natural'', declarou. Para ele, o momento serviu para sensibilizar os vendedores ambulantes de que ''tem que se legalizar''. ''Alguns camelôs até já se convenceram disso e querem regularizar sua situação'', acrescentou.
O tumulto no Centro também prejudicou a programação do Festival de Música de Londrina marcada para ontem em espaços públicos como o Calçadão. As apresentações foram canceladas, e a venda de ingressos, que era realizada no Shopping Royal Plaza, foi transferida para a bilheteria dos teatros Zaqueu de Mello, Ouro Verde e Marista. (Veja repercussão com o prefeito Nedson Micheleti na pág. 9)
CRONOLOGIA DO CAMELÓDROMO
DEZEMBRO DE 2002 - Após receberem ultimato da Justiça para deixarem o trecho das avenidas Leste-Oeste e São Paulo (em frente ao Terminal) onde haviam sido instalados pelo prefeito Antônio Belinati, camelôs enfrentam a Polícia durante uma operação de apreensão de CDs piratas. Lojas de R$ 1,99 são depredadas, a avenida Leste-Oeste é bloqueada com pneus e pedaços de pau incendiados e cinco ambulantes são detidos.
JANEIRO DE 2003 - Camelôs aceitam se mudar para o Camelódromo. Prefeitura assume o compromisso de bancar o aluguel de R$ 33 mil mensais por dois anos e assina como avalista no contrato.
AGOSTO DE 2004 - Justiça determina a interrupção dos repasses feitos pela Prefeitura (acumulados em R$ 1,04 milhão) diante de contestação feita pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
SETEMBRO DE 2004 - Auditoria da Prefeitura constata irregularidades na prestação de contas do condomínio que administra o Camelódromo.
JUNHO DE 2007 - Operação Capitão Gancho prende o maior falsificador e distribuidor de CDs e DVDs piratas de Londrina, que tinha três lojas no Camelódromo.


