Shopping centers se beneficiam de mudanças na lei de uso do solo
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 1998
Guilherme Vieira 
Além de estarem ligados aos problemas de trânsito da cidade - a afluência de consumidores sempre tumultua as ruas próximas -, os cerca de 50 shopping centers de Curitiba vivem uma grande competição. Vinte e três deles são filiados ao único sindicato patronal da categoria do País, que reconhece não existir legislação que defina o que é e o que não é um shopping. A advogada do sindicato, Hanelore Morbis Ozorio, diz que isso acontece porque esse tipo de comércio é recente no Brasil - apenas 20 anos - e por isso adota a mesma legislação do comércio em geral.
Quem trabalha nos shoppings normalmente recebe tratamento diferente, já que o horário de trabalho é maior. O piso salarial é mais alto do que o dos demais comerciários, com lanche e vale-refeição. Isso faz que alguns centros de compras se anunciem como shoppings mas não se registrem como tal, sonegando os direitos dos trabalhadores, disse Hanelore. Segundo a advogada, entre outros direitos dos funcionários está o pagamento de comissão extra de até 100% nos feriados e domingos trabalhados, mais lanche dobrado e uma folga compensatória.
Para a presidente do sindicato dos Trabalhadores de Empresas Estabelecidas em Shopping Centers de Curitiba, Diomira Maria Corso Stier, o piso salarial fixo dos funcionários é de R$ 239,54 para trabalhadores comissionados, e de R$ 290,23 para quem não recebem comissão. O menor salário é o dos office-boys e serventes de limpeza, que recebem R$ 192,63 mais benefícios, vale-transporte e lanche. Noventa por cento dos funcionários dos shoppings são vendedores.
Atração - Apesar dos problemas, o shopping oferece um ambiente sofisticado e por isso atrai, teoricamente, mão-de-obra qualificada e experiente para trabalhar em suas lojas. A gerente da loja Alla Z, do Shopping Mueller, Paula Bernieri, trabalha há três anos no mesmo local, e acredita que o melhor da atividade é o convívio com a gente bonita que frequenta as lojas. Para Paula, o ponto negativo é a alimentação, longe de ser ideal - mas o salário compensa a sacrifício.
A vendedora Vilma da Costa, da loja de artigos de couro Le Postiche, também no Mueller, não gosta muito do horário, mas quer continuar trabalhando ali porque a clientela é melhor. Para Vilma, a segurança é muito superior ao Centro, onde trabalhava em uma loja de artigos eletrônicos. Apesar de estar ganhando 70% menos, quero continuar trabalhando no Mueller mesmo que troque de loja, pois a a gente desfruta de coisas de qualidade.


