Além de estarem ligados aos problemas de trânsito da cidade - a afluência de consumidores sempre tumultua as ruas próximas -, os cerca de 50 shopping centers de Curitiba vivem uma grande competição. Vinte e três deles são filiados ao único sindicato patronal da categoria do País, que reconhece não existir legislação que defina o que é e o que não é um shopping. A advogada do sindicato, Hanelore Morbis Ozorio, diz que isso acontece porque esse tipo de comércio é recente no Brasil - apenas 20 anos - e por isso adota a mesma legislação do comércio em geral.
Quem trabalha nos shoppings normalmente recebe tratamento diferente, já que o horário de trabalho é maior. O piso salarial é mais alto do que o dos demais comerciários, com lanche e vale-refeição. ‘‘Isso faz que alguns centros de compras se anunciem como shoppings mas não se registrem como tal, sonegando os direitos dos trabalhadores’’, disse Hanelore. Segundo a advogada, entre outros direitos dos funcionários está o pagamento de comissão extra de até 100% nos feriados e domingos trabalhados, mais lanche dobrado e uma folga compensatória.
Para a presidente do sindicato dos Trabalhadores de Empresas Estabelecidas em Shopping Centers de Curitiba, Diomira Maria Corso Stier, o piso salarial fixo dos funcionários é de R$ 239,54 para trabalhadores comissionados, e de R$ 290,23 para quem não recebem comissão. O menor salário é o dos office-boys e serventes de limpeza, que recebem R$ 192,63 mais benefícios, vale-transporte e lanche. Noventa por cento dos funcionários dos shoppings são vendedores.
Atração - Apesar dos problemas, o shopping oferece um ambiente sofisticado e por isso atrai, teoricamente, mão-de-obra qualificada e experiente para trabalhar em suas lojas. A gerente da loja Alla Z, do Shopping Mueller, Paula Bernieri, trabalha há três anos no mesmo local, e acredita que o melhor da atividade é o convívio com a gente bonita que frequenta as lojas. Para Paula, o ponto negativo é a alimentação, longe de ser ideal - mas o salário compensa a sacrifício.
A vendedora Vilma da Costa, da loja de artigos de couro Le Postiche, também no Mueller, não gosta muito do horário, mas quer continuar trabalhando ali porque a clientela é melhor. Para Vilma, a segurança é muito superior ao Centro, onde trabalhava em uma loja de artigos eletrônicos. ‘‘Apesar de estar ganhando 70% menos, quero continuar trabalhando no Mueller mesmo que troque de loja, pois a a gente desfruta de coisas de qualidade’’.

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