Sheik presenciou caso de possessão
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de fevereiro de 1999
Lucilia Okamura 
O livro sagrado dos islâmicos, Alcorão, se refere tanto a anjos, que são servos de Deus, quanto a demônios, que são os inimigos. Os muçulmanos (seguidores da religião) devem estar próximos dos anjos porque eles não desobedecem Deus e são símbolos de amor, observa o sheik Ahmad Saleh Mahairi, da Mesquita Islâmica Rei Faiçal, de Londrina.
De acordo com o islamismo, os muçulmanos não devem chamar o demônio (Chaitan em árabe) ou colaborar com ele. Acreditamos que ele existe, mas é proibido chamar, ressalta. Esta entidade, segundo ele, pode adquirir diferentes formas e até ficar invisível.
O islamismo entende ser possível que uo demônio incorpore um ser humano. Mas para os muçulmanos é muito fácil retirar o demônio, observa. Segundo o sheik, basta recitar em árabe três capítulos contidos no Alcorão cujo início é sempre o mesmo: em nome de Deus, Clemente, Misericordioso. Através da recitação do Alcorão, o demônio foge. Eu não aguenta porque não existe ao lado da palavra de Deus, garante.
Sheik Ahmad observa que recitar o livro sagrado é a única maneira de libertar o ser humano da possessão. Não adianta bater na pessoa, porque o demônio não está na parte física, é a força que invade o corpo, esclarece.
Sheik Ahmad conta que quando estava na África, no início da década de 70, presenciou o caso de um jovem de 17 anos que tinha sido possuído. Chamamos os fiéis na mesquita sem que o rapaz soubesse e lemos juntos o Alcorão, lembra. O jovem, segundo ele, ficou calmo e voltou ao normal. Para evitar uma possessão, segundo o islamismo, não basta apenas ter fé - é preciso também praticar, orando e seguindo outras obrigações da religião.


