O livro sagrado dos islâmicos, Alcorão, se refere tanto a anjos, que são servos de Deus, quanto a demônios, que são os inimigos. ‘‘Os muçulmanos (seguidores da religião) devem estar próximos dos anjos porque eles não desobedecem Deus e são símbolos de amor’’, observa o sheik Ahmad Saleh Mahairi, da Mesquita Islâmica Rei Faiçal, de Londrina.
De acordo com o islamismo, os muçulmanos não devem chamar o demônio (Chaitan em árabe) ou colaborar com ele. ‘‘Acreditamos que ele existe, mas é proibido chamar’’, ressalta. Esta entidade, segundo ele, pode adquirir diferentes formas e até ficar invisível.
O islamismo entende ser possível que uo demônio incorpore um ser humano. ‘‘Mas para os muçulmanos é muito fácil retirar o demônio’’, observa. Segundo o sheik, basta recitar em árabe três capítulos contidos no Alcorão cujo início é sempre o mesmo: em nome de Deus, Clemente, Misericordioso. ‘‘Através da recitação do Alcorão, o demônio foge. Eu não aguenta porque não existe ao lado da palavra de Deus’’, garante.
Sheik Ahmad observa que recitar o livro sagrado é a única maneira de libertar o ser humano da possessão. ‘‘Não adianta bater na pessoa, porque o demônio não está na parte física, é a força que invade o corpo’’, esclarece.
Sheik Ahmad conta que quando estava na África, no início da década de 70, presenciou o caso de um jovem de 17 anos que tinha sido possuído. ‘‘Chamamos os fiéis na mesquita sem que o rapaz soubesse e lemos juntos o Alcorão’’, lembra. O jovem, segundo ele, ficou calmo e voltou ao normal. Para evitar uma possessão, segundo o islamismo, não basta apenas ter fé - é preciso também praticar, orando e seguindo outras obrigações da religião.

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