Sexualidade deixa de ser tabu na escola
Lucinéia Parra
De Maringá
Estabelecimento de ensino de Maringá recorre a estagiárias do curso de psicologia para falar de sexo com alunos
Como falar sobre sexo com alunos do 1º e 2º graus? A alternativa que muitas escolas públicas de Maringá têm adotado desde que a orientação sexual se tornou obrigatória, em 1998, é a participação de estudantes estagiários do curso de psicologia para abordar o tema em sala de aula. A iniciativa é aprovada pelos alunos que se sentem à vontade para fazer perguntas. Se é bom para os alunos, é melhor ainda para os professores de outras disciplinas que não se preocupam mais em responder, a todo momento, perguntas curiosas sobre sexo quando o tema sequer é colocado em discussão.
No Colégio Estadual Duque de Caxias, estagiárias do 5º ano de psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolvem um projeto voltado para os pais, alunos e professores. O objetivo é falar sobre sexo e dirimir todas as dúvidas em torno do assunto. Na primeira etapa do projeto, as estagiárias mantém um contato com os pais dos alunos. Explicamos para eles o objetivo da orientação sexual nas escolas e pedimos autorização deles para que seus filhos participem das aulas, diz Luciane Udenal.
Em muitos casos, disse a estagiária Mariluce Barbeiro Pereira, os pais aproveitam a reunião para tirar as suas dúvidas. Teve uma mãe que nos disse que não sabia o que significava sexo antes de se casar, revelou. Desde que começaram a desenvolver o projeto na escola, as estudantes de psicologia afirmam que a receptividade das famílias é total. Os pais gostam da idéia porque quase sempre eles têm vergonha de falar abertamente sobre o assunto com os filhos. Conforme as estagiárias, quando não há uma orientação específica sobre sexo, os adolescentes costumam ficar inquietos e querem tirar suas dúvidas com o professor com o qual têm maior afinidade. Só que nem sempre, diz Luciane, os professores se sentem à vontade para responder as questões dos alunos. É claro que os professores estão aptos a dar todo tipo de orientação, é uma exigência da Secretaria de Educação. Mas diante de uma pergunta mais específica, há professores que se sentem envergonhados, ressalta Luciane.
Nas aulas de orientação sexual, os alunos mais extrovertidos não perdem oportunidades de interromper as orientadoras e fazer perguntas. Os mais tímidos têm a chance de escrever as questões que desejam ver esclarecidas. Todo mundo participa e pergunta tudo o que tem direito, afirma a estagiária Patrícia Bernardi Marioto.
Menstruação, sexo oral, aids, óvulos, doenças sexualmente transmissíveis, pênis, hormônios, gravidez, ejaculação. Estes são alguns dos assuntos que despertam a curiosidade dos alunos. Para responder todas as questões as estagiárias utilizam slides, desenhos do corpo humano e principalmente de um recurso de linguagem fundamental para a interação com os estudantes: o uso do vocabulário dos jovens. Discutir o assunto sem preconceito é o que os estudantes querem. Por isso aprovam o método.
Meu pai sempre sai de fininho quando tento falar com ele sobre sexo, por isso acho muito legal esta aula, afirma Eder Medeiros Pestana, 14 anos. Ele está na 7ª série e diz que os temas abordados pelas orientadoras ajudam a entender melhor as transformações do corpo e a prática do ato sexual. Hevilla Juliane Altoé, 13 anos, revela que tem um diálogo mais aberto com os pais, e que muitos dos assuntos discutidos em sala de aula já tinham sido abordados em casa. Mas adverte: Com as orientadoras a gente fica mais à vontade para perguntar coisas mais curiosas e também fica sabendo de coisas que os nossos pais não sabem.
Para a diretora pedagógica Maria Rosa Gonzales Mendes, o projeto de orientação sexual faz parte dos temas transversais (questões sociais que devem ser abordados na educação fundamental). A forma que encontramos para trabalhar melhor esta questão é através de aulas específicas com a participação de estudantes que estão no último ano de psicologia, explica.
Segundo ela, a escola não pode ignorar questões sociais. Hoje a gente percebe que a criança, cada vez mais cedo está vivenciando a questão do sexo, por isso a orientação sexual deve responder a maioria das dúvidas dos alunos. O importante, conforme Maria Rosa, é ressaltar que a educação sexual é repassada pela família. Nós apenas estamos proporcionando a orientação sexual de acordo com as informações científicas. Cabe aos pais definir temas como a idade em que os filhos devem iniciar a vida sexual.





