Sexta foi de santa diversão na Expo
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sexta-feira, 14 de abril de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Quem foi ao Parque de Exposições Ney Braga (Zona Oeste) prestigiar a 46º Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina ontem a tarde notou pelo menos uma diferença. Em todo o recinto, só se ouvia o burburinho do vem e vai do bom público presente. Por causa do feriado de Sexta-Feira Santa, a música foi proibida até a meia-noite. Entre quem estava por lá, as opiniões foram divergentes sobre misturar diversão, trabalho e crença religiosa.
Enquanto preparava seus animais para o julgamento na pista principal, o criador de carneiros Rodrigo Galleas confessou que não estava à vontade trabalhando num dia considerado santo para cristãos como ele. ''Me incomodei porque estou fazendo todo mundo trabalhar num dia que teria que ser de descanso, mas não tive escolha porque o julgamento passou de ontem (quinta) para hoje (ontem)'', reclamou o rapaz, que nunca havia trabalhado nesta data.
Grávida de oito meses do primeiro filho, a atendente do parque de diversões, Jaqueline Silva de Lima, também trabalhou contrariada ontem. ''A gente está aqui porque tem que trabalhar mas é meio chato'', disse. Católica, a moça falou que a tradição de guardar a Sexta-Feira Santa vem de família. ''Tomara que Deus não me castigue mas não tive escolha'', brincou ela, em meio aos bichinhos de pelúcia.
Já a mamãe-coruja Angélica Alves de Oliveira saiu de casa ontem por um bom motivo. Aliás, três lindos motivos: levar os filhos para aproveitar a bela tarde de sol no parque Ney Braga. ''Acho que Ele não vai ficar bravo comigo não. A gente não fazer o mal para os outros é o que importa'', comentou Angélica, enquanto tentava entreter os gêmeos Pedro Henrique e Pablo Henrique, prestes a completar um ano, e a filha Pâmela, de seis anos.
Pastor da Igreja Presbiteriana, Gelson Magalhães, também aproveitou o dia de ontem no parque de exposições na companhia da esposa Cláudia e os filhos Luke, Iago e Maitê. ''Para os presbiterianos, a Sexta-Feira Santa tem a mesma simbologia que tem para os católicos. Só não temos os mesmos costumes como, por exemplo, o de não comer carne. Acho que é importante passar com a família toda'', explicou.
O garçom Sidnei Gregório dos Santos admitiu que ''acredita na existência de um Deus'' mas não segue os costumes católicos. Mesmo assim, acabou tendo um dia de menos trabalho ontem por causa do costume de não se comer carne na Sexta-Feira Santa. Na lanchonete onde está trabalhando durante toda a exposição e que tem como ponto forte do cardápio as carnes, o dia ontem foi de movimento quase zero. No almoço, vendeu apenas uma porção de alcatra com pernil para uma família. Nem as fritadas de peixe tiveram saída. ''Já trabalhei em outros feriados desses aqui e foram bem melhores'', comparou.


