Curitiba - Depois que três adolescentes, uma jovem de 13 anos e dois meninos que não tiveram as idades informadas, fizeram sexo dentro do vestiário do Colégio Estadual do Paraná (CEP), filmaram e divulgaram as imagens na internet, a comunidade acadêmica tem avaliado quais são as ações que os pais e professores devem tomar para orientar os jovens. As imagens já foram retiradas da internet e os alunos estão em casa sob a tutela dos pais e com acompanhamento pedagógico.
O comportamento sexual das pessoas ainda é assunto tabu na sala de aula. Muitos professores não são orientados quanto a maneira mais adequada de falar com os alunos. Não existe um programa aplicado em todas as instituições para tirar dúvidas e levar a informação de um profissional aos adolescentes.
A pedagoga Jane Terezinha Wisowaty trabalha com turmas de 3 e 4 séries, na faixa de 9 e 10 anos. Ela acredita que a educação sexual deveria virar uma disciplina, inclusive com material didático. Assim, os professores iriam falar a mesma língua e os jovens teriam a visão de um profissional. ''Tem professor que não sabe até onde pode falar sobre isso'', conta. Quando casos como o do CEP ocorrem, a sociedade cobra uma atitude por parte da escola. A saída, que antes possivelmente seria a expulsão dos alunos, foi afastá-los por período indeterminado. ''Isso ocorre porque a própria instituição não sabe qual atitude tomar'', opina a profissional.
Segundo a doutora em psicologia Paula Gomide, a orientação sexual na escola está ligada à educação, e não à formação. Como exemplo, a escola dá aulas sobre como usar a camisinha, como se engravida e prevenção de doenças. Mas falar sobre as consequências de um envolvimento amoroso ou sexual fica a cargo dos pais. Porém, isso nem sempre é feito na família. A profissional relata que em alguns países existem grupos de educação sexual onde são discutidos as diferentes formas de relacionamento. ''No Brasil, esse ainda é o papel dos pais. A orientação deve começar desde cedo, quando a criança pergunta como nascem os bebês'', explica. Essa conversa, aponta, deve ser ampliada, indicando o que é certo e errado nos programas de televisão envolvendo menores de idade.
A psicóloga acredita que casos como o que ocorreu no CEP acontecem rotineiramente no interior de escolas, mas só agora veio à tona por conta da exposição na internet. ''Os jovens não estão se importando com a opinião pública, tanto que divulgaram o vídeo. Eles estão achando o máximo. Mas os envolvidos não sabem que isso é ruim. São sérios candidatos à evasão escolar, pois serão marginalizados pelos colegas'', diz a profissional.
Se os pais não sabem como proceder com assuntos ligados à orientação sexual, os filhos ficam perdidos. Mas há como reverter a situação. Paula indica que os responsáveis precisam ler sobre o assunto, procurar a ajuda de profissionais, e apontar aos filhos o que é próprio para a idade de cada um. Nessa hora, os pais devem ser modelos de comportamento.

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