Cada pessoa apresenta uma relação única e muito particular com a questão sexual. Uns o adoram e vislumbram a possibilidade sexual em todas as situações, outros detestam, porque vêem o sexo como uma prática incivilizada ou selvagem. E entre estes e aqueles existem várias nuances de possibilidades de se relacionar com o sexo, e, portanto, com o parceiro.
Pessoas, na maioria homens, entendem o sexo como um exercício de prazer onde podem manter relações sexuais com o mesmo intuito com que se deliciam tomando um sorvete, ou com que jogam uma partida de futebol. Para eles o sexo é um tipo de entretenimento que tem começo, meio e fim - análogo a assistir um filme. Que no final ainda categorizam o ato em: pode ter sido bom, excelente, médio, ''deu para o gasto'', pior impossível. Não sentem necessidade de um vínculo afetivo ou de uma continuidade para se relacionaram sexualmente. Isto não quer dizer que não possam desenvolver laços afetivos e manter vínculos, como namorar e casar, por exemplo.
O sexo em si para essas pessoas tem uma conotação de entretenimento, por isso, o fato de manter relações sexuais fora do casamento não é percebido como traição. Eles amam de verdade a esposa, e ''só'' praticam ''esporte sexual'' com uma parceira diferente, a qual, após a ''partida sexual'', nada mais significa.
No pólo oposto ao citado, as mulheres na maioria encaram o sexo como o ápice da intimidade entre duas pessoas. Para elas a relação sexual vai muito além da prática em si. Elas compreendem o sexo como uma ''entrega'' que representa uma prova de amor.
São pessoas que apresentam várias restrições ao sexo, uma vez que ele está tão misturado a profundos sentimentos e vínculos afetivos e denotam maior dificuldade em se relacionar sexualmente que acabam impedidos por qualquer adversidade como: não estar no clima, dores ou desconfortos, se não estão as mil maravilhas com o parceiro, preocupações financeiras, com as tarefas da casa e com os filhos, com isto ou aquilo, se tornam impossibilitadas de se relacionar sexualmente.
Neste leque de possibilidades de encarar o sexo, ainda existem dois outros pólos distintos: de um lado, aqueles que adoram praticá-lo, pois possuem facilidade de extrair prazer do ato sexual, e do lado contrário, aqueles que o detestam, pois a prática sexual lhes parece um ato primitivo.
Além das tendências particulares que cada indivíduo apresenta quanto à questão sexual, o ser humano também está à mercê da instabilidade, do humor, de acontecimentos prévios do seu mundo interno e externo. Tudo isto influencia a questão sexual. Saber que as pessoas são diferentes e desenvolver a capacidade de lidar com estas diferenças é uma arte extremamente útil para se atingir uma vida sexual satisfatória, para além do sexo ''feliz''.

Léa Michaan - psicóloga, psicanalista e terapeuta de casais (São Paulo)

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