Sexo e comportamento
A criança que sofre um abuso sexual ainda não tem preparo para entender o que é uma relação sexual, ela ainda não apresenta noções sobre o que é, como é feito ou se é errado ou não.
Geralmente o abuso sexual ocorre com pessoas próximas e a criança, em um primeiro momento, pode associar as carícias sexuais como uma forma de receber carinho, o que em diversas ocasiões remete a criança a aceitar este tipo de comportamento do abusador.
Porém a criança percebe que tem algo errado quando sente dores (como por exemplo, na penetração) e principalmente quando o abusador menciona que o que eles fazem precisa ser mantido em segredo ou quando a criança questiona o carinho recebido, pois é algo incômodo e o abusador começa a ameaçá-la dizendo que não quer que ela conte a ninguém. Neste momento o sofrimento da criança passa a ser intenso, ela não compreende o que está ocorrendo e passa a acreditar que está fazendo algo proibido e não desejado.
Existem os casos em que a criança, ao receber toques e carícias íntimas, sente prazer e gosta do carinho recebido e com o decorrer de seu desenvolvimento percebe e assimila o toque recebido como algo proibido, o que gera culpa e sofrimento por ter realizado algo precoce e pecaminoso para sua idade.
É preciso mencionar ainda que neste momento a nossa cultura e sociedade contribui muito para a acentuação de culpa deste indivíduo, pois ainda existe muita dificuldade dos pais em conversarem sobre sexualidade com seus filhos; isto torna o assunto um tabu.
A criança não está preparada para uma relação sexual precoce, mas se a família consegue passar um conceito sobre sexo de forma natural e esperada para uma idade mais avançada, talvez esta criança possa desenvolver um sofrimento menor de culpa, caso tenha sido abusada sexualmente por alguém na sua infância ou adolescência.
Muitas vezes a criança passa a ter medo e insegurança diante de carinhos e toques, que podem ser estendidos ao longo da vida, dificultando o seu desenvolvimento nas relações afetivas. A criança tinha confiança intensa no abusador e passa então a desconfiar de todos, o que se torna um obstáculo para o início de um relacionamento afetivo baseado na segurança, confiança e cumplicidade. Assim, ela passa a ter dificuldades para namorar ou manter relações sexuais.
Na maioria das vezes o abusador aprendeu a estabelecer afeto através de um abuso que também ocorreu a si próprio na infância e gerou intenso sofrimento.
A família, em muitas ocasiões, não percebe que a criança sofre o abuso pela proximidade do abusador, permitindo que a criança permaneça com o abusador sozinha por um tempo maior.
Carolina Costa Fernandes - psicóloga São Paulo





