Sexo e Comportamento
No início do mês fui convidado para falar sobre sexualidade no III Encontro de Educação Sexual, organizado pelo Instituto de Educação de Londrina e Departamento de Psicologia Social e Institucional da UEL. Em uma oficina intitulada ''Sexualidade e Música'', os participantes puderam realizar um trabalho de conhecimento do corpo, cujo objetivo foi propiciar elementos de reflexão em uma área que geralmente não se pára para pensar, tornando assim difícil ao indivíduo alcançar o bem-estar, o prazer e a felicidade, e também a prevenção dos inúmeros riscos e consequências que decorrem, inevitavelmente, o exercício da sexualidade.
Utilizando a palavra dos poetas e suas músicas, que nos mostram que há sempre um sentido oculto e simbólico a nos desafiar e a alimentar a vida, as atividades apresentadas nos levaram a duvidar, indagar, investigar. Tudo isso, somado às colocações de cada participante, nos levou a um debate importantíssimo sobre as questões da sexualidade humana.
Neste mesmo evento, pode-se destacar ainda a mesa-redonda ''A sexualidade no contexto escolar''. Um dos pontos mais importantes abordados tratou do tema ''Falar de sexualidade é um desafio aos educadores?''
Para o professor César Nunes, esta abordagem não é simples, pois existe um ''certo estranhamento do sujeito humano com sua própria sexualidade'', da mesma maneira que muitas vezes essa ''sexualidade'' trabalhada em sala de aula não ultrapassa as dimensões biológicas, sendo o único momento de discussão aquele em que professor trabalha o aparelho reprodutor masculino e feminino.
Mas será que estamos realizando uma educação sexual de fato? Não, pois segundo a professora e pesquisadora Mary Neide Figueiró as questões trabalhadas na escola precisam envolver reflexão, de modo individual e coletivo, pois este exercício permitirá ao aluno o reconhecimento enquanto sujeito de sua própria sexualidade, construindo práticas positivas e saudáveis para o desenvolvimentode sua vida.
E essa educação sexual precisa urgentemente ultrapassar a dimensão biológica, pois envolve emoção, afeto e imaginário. E acredito que não é preciso falar o tempo todo de prevenção, pois se o aluno tiver consciência da valorização do seu corpo e do outro, certamente não deixará de se prevenir, evitando doenças e até mesmo uma gravidez indesejada.
Assim, a sexualidade torna-se encantadora se pudermos vivê-la na descoberta simples e profunda de que cada gesto e cada contato têm um significado.
Ricardo Desidério da Silva, educador sexual, professor mestrando e integrante do Círculo de Pesquisa em Educação Sexual e Sexualidade





