Sexo e Comportamento
Tenho 56 anos e perdi a ereção. Consultei um médico, que indicou a colocação de uma prótese, mas gostaria de saber quais são os riscos e se a cirurgia é muito cara.
A perda da ereção, chamada mais recentemente de Disfunção Erétil (DE), é uma patologia cada vez mais presente e discutida em nosso meio. Alguns estudos mostram que na faixa etária dos 50 a 60 anos a prevalência de DE pode chegar a 18% dos homens.
Atualmente, o tratamento da DE está bem padronizado, sendo poucos os pacientes que não encontram tratamento. A primeira linha terapêutica são as drogas orais, sendo a sildenafila (Viagra) a mais conhecida. A taxa de melhora da ereção com estes compostos pode chegar a 70%. Mas quando o tratamento via oral não funciona, podemos lançar mão das drogas injetáveis. Estes compostos são injetados diretamente no pênis, pelo próprio paciente, antes da relação sexual. As taxas de sucesso variam de 70% a 80%. Caso o paciente não apresente resposta ao tratamento oral nem às injeções (ou tenha alguma contra-indicação), está indicado o implante da prótese peniana.
Existem vários tipos de próteses. A mais utilizada em nosso meio é a semi-rígida, que se caracteriza pela facilidade do implante e baixo custo, comparativamente aos outros tipos. A prótese semi-rígida nada mais é do que uma haste metálica envolta por um cilindro de silicone. Colocada dentro dos corpos cavernosos do pênis, a prótese causa uma ereção permanente; o pênis pode ser manuseado e curvado pelo paciente, para que se possa ''camuflar'' esta ereção quando não se fizer necessária.
A cirurgia para o implante é bastante simples, podendo ser realizada com anestesia local. A principal complicação no procedimento é a infecção pós-operatória da prótese, que requer a retirada completa da mesma. Utilizando boa técnica cirúrgica e cuidados adequados no pós-operatório, a taxa de infecção fica abaixo de 1%.
O preço total da cirurgia varia muito em função do tipo e marca da prótese, uso ou não de anestesia local, honorários médicos e custos hospitalares, não ficando abaixo dos R$ 4 mil. A maioria dos hospitais do SUS não oferece este tipo de cirurgia, mas pode ser conseguida em alguns hospitais universitários. Grande parte dos convênios médicos também não cobre os custos do implante. No seu caso, o melhor a fazer é discutir todas as opções terapêuticas com seu urologista antes de tomar uma decisão definitiva.
Juliano Plastina, urologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia





