Sexo e Comportamento
Dias atrás ocorreu o debate tão esperado entre os candidatos à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Foi o primeiro confronto entre os dois, já que no primeiro turno Lula não compareceu aos debates organizados pelas emissoras de TV.
Se você assistiu ao programa, deve ter percebido que em nenhum momento os candidatos fizeram qualquer menção sobre planos no que se refere à política sexual. Talvez seja por falta de informação ou por não quererem tocar num assunto considerado delicado e polêmico.
Veja. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil ocorrem perto de 1,4 milhão de abortos espontâneos e inseguros, com taxa de 3,7 para cada grupo de 100 mulheres. Ainda segundo o ministério, a gravidade da situação do abortamento também se reflete no Sistema Único de Saúde (SUS). Só em 2004, 243.988 mulheres foram internadas para fazer curetagem pós-aborto. O código penal brasileiro só permite a realização de abortos que tratam de riscos de morte para a mulher ou de gravidez resultante de estupro.
É uma situação grave e que precisa ser repensada e isso deveria fazer parte dos planos de governo dos candidatos. Por exemplo: que ações o futuro presidente pretende realizar com relação à prostituição infantil e o turismo sexual? O novo governo vai legalizar a profissão de prostituta? E quanto a agressão às mulheres? Como serão tratadas as campanhas sobre comportamento sexual?
Atualmente campanhas de prevenção acontecem pontualmente, como no carnaval. Pede-se que as pessoas usem camisinha para se prevenir contra doenças sexualmente transmissíveis. Mas será que é só isso? E a prevenção, como é que está sendo feita? E as informações necessárias sobre como colocar a camisinha?
Segundo dados do SUS, o número de partos de adolescentes de 15 a 19 anos caiu 21%, de 1998 a 2003. Porém, para as meninas de 10 a 14 anos, o número se manteve na média de 28 mil partos ao ano.
Os candidatos, mesmo considerando o tema espinhoso, deveriam expor à população o que pensam e o que pretendem fazer sobre isso. A questão é séria e precisa ser debatida com todos, não pode ficar relegada a um segundo plano.
Márcio Dantas de Menezes -médico, palestrante e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual





