Embora tão utilizada por psicólogos e educadores, nem todos falam a mesma língua.
Pais escravizados pelos filhos, professores desrespeitados por alunos, crianças sempre insatisfeitas, álcool e outras drogas usados para conter angústia e preencher vazios dos jovens. O caos está cada vez pior.
A família muitas vezes delega à escola a responsabilidade pelo estabelecimento de bons hábitos, deixando de assumir a sua própria função de educar. Cabe à escola complementar, mas não necessariamente desenvolver as atitudes básicas. O jogo de empurra-empurra acontece, a bola de neve cresce e o problema continua sem solução.
A criança tem todo o direito de ter as vontades realizadas, faz parte da natureza humana. Mas, apenas na fantasia a inexistência da falta é possível. A não realização dos desejos favorece o aparecimento da frustração que, se bem tolerada, possibilita o desenvolvimento do pensar de forma adequada. É preciso que cada um exercite primeiro em si mesmo a capacidade de administrar a frustração para então auxiliar o filho a lidar com as barreiras e a infinidade de vezes que nos deparamos com o ''não'', inerente da vida.
Negar exige responsabilidade e autoridade. Será que os pais estão dispostos a enfrentar a situação? Será que tem noção do que precisam fazer? Nem sempre estão preparados, pois não conseguem estabelecer, em si mesmos, os limites convenientes ou necessários para o bem viver. Por que isso ocorre? Pela dificuldade de cada um suportar (ou adiar) o fruto de seus desejos. A premissa maior é: satisfação imediata custe o que custar!
Cada ato pode desencadear um novo fato com consequências benéficas ou não ao seu próximo imediato.
Aos pais cabe ter autocontrole, evitar situações de risco tanto do ponto de vista físico quanto emocional, controlar os próprios impulsos, responsabilizar-se pelas consequências dos seus comportamentos e ter consciência de que funcionam como modelos para os próprios filhos.
Aí então é possível conversar sobre os limites necessários à população infanto-juvenil: colocar regras claras, informar sua importância, zelar para que sejam cumpridas, estabelecer as consequências da não obediência e, de fato, tomar as providências necessárias caso o ''combinado'' não seja respeitado.
Limite implica em responsabilidade. Só assim poderemos fazer do limite não apenas uma palavra mal dita, mas, sim, uma atitude bendita.
Maria Elizabeth Barreto de Pinho Tavares - psicóloga (Londrina)

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