SEXO E COMPORTAMENTO - A questão da infidelidade
A infidelidade é um fenômeno que sempre existiu na sociedade. Falar em infidelidade remete ao sentimento de tristeza, fragilidade e culpa, refere-se à sensação de violação de segurança.
Os casos de infidelidade de fato trazem em si a questão da mentira e da traição, mas estes não são a mola propulsora desta situação: não se esgotam somente nisso. Não se pode falar somente em papéis de vítima e agressor.
Conforme leciona a terapeuta Michele Scheinkman (2008), as emoções e significados para a traição referem-se mais ao sentimento de desejo. O desejo pode ser por tentativa de autodescoberta ou aventura. Pode referir ainda a neutralizar um vazio e ao processo de se sentir um indivíduo completo e independente.
É possível perceber que, muitas vezes, a intenção não é de mentir ou ferir o outro, ainda que sejam consequências que aconteçam na infidelidade, mas sim, busca-se vivenciar uma fantasia ou uma imposição cultural e social.
Embora a infidelidade tenha questões ligadas ao casamento, ela não acontece necessariamente pela falha do mesmo. Não é simplesmente uma questão de causa e efeito: as pessoas são infiéis por inúmeros motivos. Algumas vezes decorre do aprendido na família ou pode se relacionar ao que se acredita com relação aos homens e mulheres (por exemplo ''homens são assim, sempre traem...''; ''Sou mulher, tenho também direito...''). Pode se relacionar com alguma vulnerabilidade na infância, no decorrer da vida, em situações do nascimento de um filho ou perda de alguém importante, dentre muitas outras questões.
No casamento, muitas vezes, os parceiros esperam que o outro supra em tudo suas necessidades. A expectativa e o ideal criados pela cultura, pela família, pelas experiências vividas, ficam muito elevados e nem sempre o parceiro as preenche. Espera-se que o outro seja o melhor amigo, melhor amante, a companhia perfeita - e isto pode não acontecer, gerando frustração em ambos os parceiros.
Deste modo, é importante pensar acerca das questões da infidelidade sob a ótica das expectativas vividas pelo casal. Viver a individualização sem perder a intimidade é o grande desafio para se discutir as questões dos desejos e buscar um melhor relacionamento sem o sofrimento da infidelidade. Com isto, pode-se construir um clima de generosidade, prazer e aceitação do outro como um indivíduo completo.
Leda Meda Caetano - psicóloga e Taritha Meda C. Gomes - advogada (Londrina)





