Chegamos ao fim de mais um ano, 2007 está acabando e é hora de refletirmos sobre tudo o que passamos e fizemos. E nesta retrospectiva, devemos pensar como será o nosso próximo ano. Como iremos conduzir os nossos sonhos e os nossos objetivos? E a busca pelos nossos ideais?

E nós, educadores, como vamos conduzir nossos educandos no próximo ano letivo? Como será o nosso papel enquanto educadores sexuais? Que tipo de educação sexual queremos? Estas e tantas outras perguntas nos fazem refletir sempre.

Não só na escola, mas em todos os momentos, a sexualidade deve ser um trabalho contínuo. Quando falamos em ''educação sexual'' estamos nos referindo a uma ação que envolva uma aprendizagem sobre sexualidade humana e que está inserida dentro de um contexto histórico-cultural, que permitirá a busca pelos sentimentos, pelos valores, emoções e atitudes frente à vida sexual.

Segundo Maria José Garcia Werebe (1998), uma autêntica educação sexual deve estar centrada na criança, no jovem, e tem como ponto de partida e como ponto de chegada suas necessidades, suas indagações, aspirações e desejos.

Em seu livro ''Sexualidade, Política e Educação'', a autora coloca que o educando deve ser o próprio sujeito da educação, na medida em que deverá aprender a se conhecer diretamente e não apenas de forma indireta, por meio apenas de referências literárias, históricas, artísticas, morais e religiosas.

Para isso, nós, pais, educadores e diretores, temos de entender que a sexualidade é algo natural, não adianta escondê-la e fingir que não existe, pois ela faz parte de nossas vidas.

E para encerrar este ano, termino o artigo com uma mensagem de Paulo Freire. ''Ninguém vive bem sua sexualidade numa sociedade tão restritiva, tão hipócrita e falseadora de valores; uma sociedade que viveu a experiência trágica da interdição do corpo com repercussões políticas e ideológicas indiscutíveis; uma sociedade que nasceu negando o corpo. Viver plenamente a sexualidade sem que esses fantasmas, mesmo os mais leves, os mais meigos, interfiram na intimidade do casal que ama e que faz amor, é muito difícil. É preciso viver relativamente bem a sexualidade. Não podemos assumir com êxito, pelo menos relativo, a paternidade, a maternidade, o professorado, a política, sem que estejamos mais ou menos em paz com a sexualidade''. Feliz ano novo.

Ricardo Desidério da Silva, professor mestrando e educador sexual

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