A impotência sexual, chamada de disfunção erétil (DE), é uma patologia bastante comum, que atinge adultos de qualquer idade. Nos pacientes mais jovens, entre 20 e 40 anos, a principal causa da doença é a psicogênica: fatores como estresse e ansiedade levam à perda da ereção. Nas faixas etárias mais avançadas, o diagnóstico das causas orgânicas se torna mais prevalente.
Entre estas, podemos citar os distúrbios neurológicos, endócrinos, farmacológicos e vasculares - e aqui se enquadra a arteriosclerose. A arteriosclerose caracteriza-se pelo acúmulo de gordura nas paredes das artérias, o que gera um estreitamento de seu lúmen, com consequente diminuição do fluxo sanguíneo.
A ereção é um fenômeno fundamentalmente vascular, na qual há a dilatação das artérias dos corpos cavernosos, que se enchem de sangue e causam a tumescência peniana. Quando há diminuição da quantidade de sangue que chega a estas artérias, todo o processo fica comprometido. A arteriosclerose pode causar diminuição da rigidez peniana, bem como maior tempo para atingir a ereção.
As principais causas da arteriosclerose são o aumento dos níveis de colesterol no sangue, causado, na maioria das vezes, por dieta rica em gorduras, hipertensão arterial, tabagismo e diabetes. Pacientes com lesões de outros órgãos devido à arteriosclerose, como infarto do miocárdio e derrame cerebral, também têm um risco elevado de impotência sexual.
Na maioria dos pacientes, a história clínica é suficiente para o diagnóstico. Nos casos duvidosos, podemos utilizar o ultra-som com doppler, que mede o fluxo das artérias penianas. Em casos mais selecionados é utilizada a arteriografia peniana.
O tratamento da DE secundária a arteriosclerose segue o mesmo protocolo para as outras causas de impotência. Iniciamos o tratamento com medicações orais, que se não mostrarem resultado podem ser associadas a drogas injetáveis diretamente no pênis. A cirurgia é utilizada na falha dos outros métodos. Neste caso, existem técnicas que procuram restabelecer o fluxo sanguíneo nas artérias penianas através de ''pontes'' com enxertos, assim como é feito no coração. Porém, estas técnicas são bastante trabalhosas e com resultados nem sempre garantidos. Por isso, a cirurgia mais utilizada é a prótese peniana.

Mitos e Verdades
- Mito: a arteriosclerose só aparece em pessoas obesas
- Verdade: a arteriosclerose pode ser diagnosticada mesmo em pessoas magras, pois estas podem ter outros fatores de risco para a doença (diabetes, hipertensão, tabagismo etc.)
Juliano Plastina, urologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)

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