Recentemente, uma amiga comentou que estava trabalhando com seus alunos em sala de aula sobre a temática sexualidade. A partir desta conversa, chegamos a uma conclusão assustadora. Ela relatou que a escola em que trabalha já possui instalados os computadores que a Secretaria de Estado da Educação enviou às escolas estaduais e que todos os alunos e professores podem ter acesso às máquinas.
Assim, durante uma aula em que estava falando sobre sexualidade ela achou que seria muito interessante levar os alunos até a sala de computadores para pesquisarem as definições da palavra ''sexualidade'' na internet.
Infelizmente, sua aula não obteve sucesso, pois todas as buscas na internet iniciadas com as letras ''sex'' foram bloqueadas.
Indignada, ela comentou o fato com alguns funcionários da secretaria da escola e um deles pediu a ela para pesquisar as seguintes palavras: ''bomba caseira''. Logo após a pesquisa, ela verificou que não só apareceram descrições do termo, como receitas para se produzir uma bomba caseira.
Sendo assim, os alunos daquela escola acabam não podendo pesquisar nada sobre a temática sexualidade. No entanto, podem aprender como produzir bombas caseiras?
Este não seria o momento dos técnicos responsáveis por estes computadores reverem a situação, já que estas máquinas são facilitadoras de um recurso metodológico tão importante para o aprendizado dos alunos?
Enfim, precisamos questionar e discutir muito a respeito da situação relatada, pois nem tudo está sendo proibido nestes computadores.

Ricardo Desidério da Silva, professor mestrando e educador sexual

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