Sexo & Comportamento
A orientação do cardiologista sobre a atividade sexual de seu paciente é uma etapa importante na relação médico-paciente. Vários aspectos devem ser lembrados, como o aumento da expectativa de vida da população e a possibilidade de manutenção de vida sexual ativa até idades mais avançadas, com ganho na qualidade de vida.
Por outro lado, o aumento na prevalência de doenças crônicas como insuficiência cardíaca e diabetes tem repercussão negativa nestes mesmos pacientes. Basta dizer que a disfunção erétil afeta de 60% a 70% dos pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (''dificuldade no bombeamento do sangue''), e entre 35% e 75% dos pacientes com diabetes. Além disso, a disfunção erétil no diabético é considerada como marcador da presença de doença nas artérias coronárias.
É importante compreender que a frequência cardíaca (número de batimentos cardíacos por minuto) e a pressão arterial se elevam durante o ato sexual. O aumento médio na pressão arterial sistólica (''aquela mais alta'') é de 80 milímetros de mercúrio, e na pressão arterial diastólica (''aquela mais baixa'') é de 50 mmHg. Isso se reflete em trabalho aumentado para o coração. Para se ter uma idéia mais exata, a atividade sexual durante o orgasmo corresponde a uma caminhada numa superfície plana, numa velocidade de 6,4 quilômetros por hora, em média.
O ato sexual, portanto, pode precipitar uma crise de angina (menos de 5% de todos os ataques de angina) e até mesmo o infarto do miocárdio (menos de 1% de todos os casos de infarto) em decorrência do desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio, em pacientes com doença coronária já existente.
Em vista de tais considerações, cabe ao médico assistente uma avaliação cuidadosa e a classificação do paciente nas categorias de risco baixo, intermediário e elevado.
Os de baixo risco podem manter atividade sexual com segurança (são a maioria dos pacientes). Os de risco intermediário necessitam de avaliação mais detalhada, ao passo que aqueles de alto risco devem, em primeiro lugar, receber tratamento para a sua condição e, então, serem reavaliados antes de reiniciar a atividade sexual.
Evander Botura, cardiologista





