Notei que meu pênis apresenta uma acentuada curvatura para cima. Existe tratamento clínico ou apenas uma cirurgia resolveria o problema? Devido à curvatura, as relações sexuais passaram a acontecer com grande dificuldade.
Como o paciente não revelou a idade, podemos falar em duas hipóteses. Se for jovem, pode ter ocorrido uma doença venérea não tratada convenientemente, que deixou o problema se tornar crônico. Todavia, se o paciente é de mais idade e nunca teve problemas com doenças venéreas, essa curvatura do pênis pode ser a chamada de Doença de Peyronie, da qual não se sabe exatamente do que decorre, que desorganiza o depósito de cálcio no corpo cavernoso do pênis.
Há cerca de dez anos, dizia-se que tais casos eram muito raros e que só ocorriam em uma proporção de um caso para cada um milhão de pessoas. Atualmente, não se sabe bem por que, o número de casos vem aumentando.
Tenho atendido inúmeros pacientes com tal problema. Nos cerca de 50 casos mais recentes tratados, o paciente, em geral, tinha passado por uma situação de estresse violento. E, imediatamente, após o episódio, passou a ter essa alteração na curvatura do pênis, que pode ser para o lado, para cima ou para baixo. Enquanto essa alteração não afetar a ereção, tudo bem, pois a pessoa terá uma vida sexual razoável. No entanto, quando a alteração da curvatura for para baixo, isso normalmente impede a realização do ato sexual. Em todos esses casos, o indivíduo deve procurar um médico.
Antigamente, era necessário fazer uma cirurgia para a retirada da placa calcificada de um dos lados do pênis. Mas essa cirurgia implicava na diminuição do tamanho do órgão, pois era necessário retirar parte do pênis também do outro lado.
Porém, há cerca de três ou quatro anos, essa cirurgia foi praticamente abandonada, sendo substituída por tratamento clínico, geralmente com vitaminas, especialmente a vitamina E, em grande quantidade, sais minerais e ácido fólico. Porém, deve-se examinar cada caso separadamente, pois existem diversos medicamentos que podem ser utilizados para diminuir o tamanho da placa e melhorar a circulação sanguínea no local.
Em geral, havendo ainda a ereção, o tratamento será apenas por meio de medicamentos. Mesmo que o paciente já esteja em tratamento médico, deve estar sempre alerta, pois a qualquer momento o quadro poderá evoluir rapidamente para uma impotência, já que a placa de calcificação pode atingir as artérias. Porém, é importante que ele saiba que o tratamento não será mutilador, exigindo apenas medicamentos, na maioria dos casos.
O indivíduo deve, imediatamente, melhorar o seu padrão de vida, evitar o estresse e ingerir alimentos ricos em vitamina E e em substâncias antioxidantes.

Marilene Cristina Vargas, médica pós-graduada em disfunção sexual

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