Sexo & Comportamento
O câncer de pênis é uma patologia rara, em geral, associada ao nível socioeconômico de baixa renda. Normalmente ocorre em pacientes com fimose e hábitos higiênicos precários. No Brasil, representa cerca de 2% do total das neoplasias no homem, incide sobre adultos idosos e raramente em crianças. Este tipo de câncer mantém uma relação estreita com os hábitos higiênicos e as práticas culturais e religiosas dos diferentes países.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), no estado de São Paulo, que tem a maior população do país, com 40 milhões de habitantes, concentra-se o maior índice de câncer de pênis: 24,26%. Em seguida vem o Ceará (12,87%), Maranhão (10,66%) e Rio de Janeiro (9,19%). No Maranhão, estado com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, iniciou-se uma campanha de mutirão para o combate ao câncer de pênis.
A realização da cirurgia da fimose - postectomia ou circuncisão - tem sido bem estabelecida como uma prática profilática, que, virtualmente, elimina o aparecimento do câncer do pênis. O esmegma - secreção esbranquiçada produzida ao redor da glande - exerce um papel irritativo crônico e favorece o aparecimento do tumor.
Dados levantados pelo Data/SUS nos últimos cinco anos ratificam a pesquisa da SBU ao mostrar que a amputação do órgão - medida tomada quando a doença é grave - tem aumentado cerca de 10% ao ano. Este número leva a entidade a acreditar que o país esteja em 2ºlugar no ranking mundial da doença, atrás apenas da África.
O câncer de pênis, virtualmente, não ocorre em judeus, o que indica o papel preventivo da circuncisão neo-natal no desenvolvimento desta neoplasia.
Prevenção
- lavar o pênis diariamente com água e sabão, principalmente após relações sexuais ou masturbação;
- ensinar o menino, desde cedo, como fazer a higiene do pênis;
- realizar o auto-exame todo mês. Puxe a pele e verifique se há alguma lesão na região;
- realizar exame médico periodicamente.
Sintomas
- ferimentos que não cicatrizam, mesmo após o tratamento;
- vermelhidão ou coceiras duradouras na glande de portadores de fimose;
- caroços que não desaparecem após tratamento e que apresentam secreções e mau cheiro;
- manchas esbranquiçadas ou perda de pigmentação em áreas do pênis;
- surgimento de tumores no pênis ou na virilha (íngua).
Celso Fernandes Junior, doutor em urologia e membro titular da Sociedade
Brasileira de Urologia





