Ao longo da história da humanidade, a sexualidade foi compreendida e tratada de maneira diferente entre meninos e meninas. Os meninos sempre foram incentivados, desde pequenos, a provar que eram homens e nisso estão incluídas várias questões: não chorar, ser durão, até mesmo assumir, muito cedo, sua sexualidade, geralmente com prostitutas, dissociando o amor do desejo sexual.
Já as meninas, ao longo da história, foram reprimidas em sua sexualidade. Geralmente nas famílias de classe média e alta, por medo da gravidez, as mulheres resguardavam a virgindade para terem a chance de um casamento aliado à questão financeira, num acerto entre famílias que queriam garantir que o primogênito (que tinha direito à herança) fosse realmente filho daquele casal. Já nas famílias de baixa renda, muitas vezes a sexualidade era estimulada nas meninas como meio de sobrevivência.
Dentro deste quadro, muitos casamentos não aconteciam por amor. Este tipo de casamento facilitava ao homem vir a ter amantes e as mulheres casadas a serem frígidas, não só pela repressão que sofriam, mas por serem, em geral, ignorantes com relação à própria sexualidade. Na educação das meninas tudo era tabu, vergonha, pecado, e os homens podiam tudo.
A partir do século 20, a compreensão da sexualidade foi mudando. As transformações aconteceram a partir do momento em que as mulheres foram adquirindo mais espaço na sociedade, podendo estudar e trabalhar. Com o avanço da Medicina e o surgimento da pílula anticoncepcional, a mulher passou a ter mais liberdade sexual, assumindo seu corpo e desejos, embora ainda existam muitos tabus.
Passamos por um período no qual a associação entre amor e sexo se fez tanto para homens como para mulheres, e embora isso devesse perdurar - pois faz bem à saúde e é a base para uma família equilibrada - estamos vivendo um período em que a sexualidade passa a ser vista como um conjunto de sensações prazerosas momentâneas, sem a necessidade de vínculos.
Apesar de tantas mudanças, a educação sexual nas escolas ainda tem seus tabus, sendo ensinada apenas como uma ciência natural. Temos hoje, nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, as disciplinas de Filosofia e Sociologia, mas não de Psicologia. Isso nos mostra que no ambiente escolar é permitido pensar sobre a vida, a sociedade, mas as questões afetivo-emocionais ainda não são trabalhadas e compreendidas.
A sexualidade será melhor trabalhada quando a subjetividade, as questões essenciais da vida, realmente forem assumidas. Espero que caminhemos para isso.

Mitos e Verdades
- Mito: aulas de anatomia e fisiologia sexual são suficientes para uma boa educação sexual.
- Verdade: precisamos assumir nosso corpo, nossa subjetividade, associando a sexualidade ao amor, pois isso é essencial para a construção de uma sociedade saudável.

Denise Hernandes Tinoco, doutora e mestre em Psicologia Clínica, docente e psicanalista®MDBO¯®MDNM¯®MDNM¯

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