Sexo & Comportamento
As drogas disponíveis atualmente para a impotência sexual estão entre as mais vendidas no mundo. Embora muito conhecidas, ainda há pouco esclarecimento acerca do funcionamento, indicações e efeitos colaterais destas medicações.
O primeiro composto desta classe a ser lançado foi a sildenafila (Viagra), em 1998. Apresentou sucesso vertiginoso e atualmente é a medicação mais vendida no Brasil. Estima-se que as vendas mundiais do Viagra atinjam a casa dos 2 bilhões de dólares anuais. Seguindo o seu sucesso, surgiram no mercado a tadalafila (Cialis) e a vardenafila (Levitra e Vivanza).
Essas drogas são classificadas como inibidores da fosfodiesterase-5 e têm o mesmo mecanismo de ação. Diferem apenas em algumas variáveis, tais como tempo de duração do efeito, tempo para o início da ação e interação com outras drogas ou alimentos.
Para ocorrer a ereção, é necessário que haja um relaxamento dos músculos das pequenas artérias dos corpos cavernosos penianos. Com este relaxamento, há um maior fluxo de sangue, que causa o enchimento dos corpos cavernosos e a consequente ereção. Mas como ocorre este relaxamento?
Quando o homem sofre estímulo sexual de qualquer natureza, o cérebro envia ''sinais'' para os nervos dos corpos cavernosos do pênis, por meio do sistema nervoso autônomo. Estas terminações nervosas liberam uma substância chamada óxido nítrico (NO). O NO age num outro composto, o GMP, transformando-o em GMP cíclico (cGMP). O cGMP é quem age na musculatura das artérias penianas, promovendo seu relaxamento. Para que o cGMP não aja indefinidamente, a enzima fosfodiesterase-5 (PDE5) converte novamente o cGMP em GMP, terminando o processo.
As drogas contra a impotência bloqueiam a enzima PDE5. Com isso, potencializam o efeito do cGMP nas artérias penianas, melhorando o fluxo sanguíneo e a ereção.
Apesar dessas medicações agirem preferencialmente na PDE do tipo 5, podem também inibir esta enzima em outros órgãos, provocando efeitos colaterais. Os mais comuns, por ordem de frequência, são: dor de cabeça, rubor cutâneo (pele vermelha), dispepsia, congestão nasal e alterações visuais.
Estes efeitos são pouco frequentes, mas alguns podem ter sérias consequências. Por isso, é muito importante o acompanhamento médico durante o uso dessas drogas. Na dúvida, converse com seu urologista.
Mitos e Verdades
- Mito: as drogas para impotência sexual funcionam em qualquer situação
- Verdade: estes medicamentos só agem na presença de estímulo sexual, sendo sua indicação bastante criteriosa
Juliano Plastina, urologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia





