Sexo & Comportamento
Há algum tempo já comentamos sobre a ineficácia dos exercícios para aumento peniano. Vamos discutir, então, acerca das cirurgias existentes para o mesmo fim. O tamanho do pênis é uma preocupação de muitos homens, que culturamente correlacionam desempenho sexual com o tamanho de seu órgão sexual (e sem nenhum fundo de verdade). Infelizmente, esta busca paranóica pelo ''maior'' abre caminho para toda sorte de charlatanismo.
Presenciamos constantemente na mídia o relato de ''técnicas'' e ''procedimentos'' para o aumento do pênis. Por isso, nada mais necessário do que esclarecer o público leigo através de fatos científicos. As cirurgias para aumento peniano, tanto no comprimento quanto na circunferência, são indicadas para pacientes portadores de micropênis ou outras malformações, nos casos em que o pênis é inadequado para o coito. Dentre elas, as mais utilizadas são:
- Secção do ligamento suspensor do pênis: este ligamento é o responsável pela fixação do pênis ao osso púbico, dando estabilidade ao falo durante a relação sexual. Ao seccioná-lo, conseguimos ganhar alguns centímetros em comprimento, pois a porção interna dos corpos cavernosos ''cai'' e fica mais visível externamente.
- Lipoaspiração do púbis: ao retirar a gordura pubiana, tornamos a porção interna do pênis mais evidente. Porém, esta técnica não causa nenhum aumento real do pênis; ela simplesmente exterioriza parte do pênis que estava ''escondida'' pelo tecido adiposo. É como se cavássemos ao redor de uma haste enterrada na areia.
- Injeção de gordura: semelhante a uma lipoescultura, a gordura retirada de outras áreas é injetada no subcutâneo do pênis, a fim de aumentar seu diâmetro. Existem técnicas que usam outras substâncias, como o metacrilato. Porém, este composto é formalmente proibido pela comunidade urológica devido ao grande número de complicações, inclusive necrose do pênis.
Agora, cabe o alerta: nenhuma destas técnicas é indicada para o aumento peniano com fins estéticos. Nestes casos, a cirurgia é tida como experimental, e deve ser realizada apenas em centros de pesquisa credenciados, aprovada pelos Comitês de Ética e norteada por rígidos protocolos. O médico que se utiliza destas técnicas em seu consultório está prestando um desserviço à população, além de ferir as diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia.
Portanto, a pergunta que deveria ser feita não é ''Como posso aumentar meu pênis?'', e sim ''Por que preciso de um pênis maior?''. Procure seu urologista, se informe a respeito e tire suas dúvidas, para não ficar a mercê de promessas milagrosas.
Juliano Plastina é urologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia





