O câncer de próstata é uma doença cuja incidência aumenta com a idade afetando homens em uma faixa etária onde também as queixas de disfunção erétil (impotência sexual) tornam-se mais freqüentes, portanto são duas situações de ocorrências concomitantes e não estão necessariamente interligadas. Porém, os tratamentos disponíveis para o câncer prostático, bem como o estágio da doença, têm reflexos em grande parte das vezes na função sexual masculina.
  Uma ereção eficiente para uma relação sexual satisfatória depende de diversos fatores e estímulos que devem se manter em plena coordenação. A preservação da vascularização (irrigação de sangue) para o pênis, a manutenção dos níveis hormonais masculinos (testosterona) e o estímulo neurológico, através de pequenos nervos, são fundamentais para a rigidez peniana.
  Os pequenos nervos responsáveis pela ereção têm uma íntima relação anatômica com a próstata e em casos de tumores que atingem a sua porção mais externa (mais avançados) podem, por si só, levar a sua destruição e comprometer a função sexual. Os tratamentos eventualmente trazem seqüelas em graus variáveis para ereção, no entanto, outros fatores como idade e presença de disfunção erétil prévia também contribuem.
  A cirurgia para retirada da próstata com câncer é um tratamento bem definido por diferentes técnicas e amplamente realizado com bons resultados. O risco para função sexual se dá principalmente por lesão destes pequenos nervos responsáveis pela ereção, muitas vezes sacrificados prevalecendo o objetivo da cura. A radioterapia, outra modalidade terapêutica, também traz risco para a potência sexual, geralmente por prejuízo à irrigação sangüínea do pênis.
  Em casos selecionados e em geral mais avançados, a opção terapêutica é o bloqueio do hormônio testosterona (hormônio masculino), que possui um papel fundamental para função sexual (ereção e libido), porém promove o avanço mais rápido do crescimento tumoral. A disfunção erétil tem relação com os casos de câncer de próstata, principalmente decorrente do tratamento a ser instituído.
  Uma avaliação sistemática e prévia da função sexual do paciente deve ser realizada para que haja um resultado satisfatório do tratamento, minimizando as complicações e diminuindo os impactos para a qualidade de vida. Nem todos os casos de câncer de próstata levam à impotência e existem recursos estabelecidos para prevenção e tratamento posterior para esta situação.

  Farid Libos Junior é médico urologista do Hospital do Câncer de Londrina

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