Sexo & Comportamento
Aproximadamente 25% dos casos de disfunção erétil (impotência sexual) estão relacionados ao uso de medicamentos, que além de dificultar a ereção, podem também prejudicar a libido (desejo sexual) e a ejaculação.
A finasterida, uma das principais medicações atualmente utilizadas para o tratamento da calvície, pode levar à disfunção erétil e à queda da libido em até 4% dos usuários. Contudo, esses efeitos tendem a desaparecer nos homens que descontinuam o tratamento. A finasterida é um medicamento antiandrógeno, que atua inibindo a enzima 5-alpha reductase, que converte a testosterona em dihidrotestosterona (forma ativa da testosterona), levando à diminuição da concentração da forma ativa da testosterona no organismo e, consequentemente, a uma queda da libido e a disfunção erétil.
Outros medicamentos de ação antiandrogênica, como a ciproterona e a flutamida, associam-se à elevada incidência de disfunção erétil.
Os ''medicamentos para emagrecer'', derivados da anfetamina, como a anfepramona e o fenproporex, também causam diminuição da libido e a disfunção erétil. A sibutramina, um medicamento antidepressivo, também utilizado para emagrecer, pode causar disfunção erétil.
Outros antidepressivos (fluoxetina, paroxetina, sertralina, amitriptilina, imipramina) e agentes psicotrópicos como antipsicóticos (cloropromazina, rispiridona), tranquilizantes e anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina) também causam distúrbios relacionados à libido, função erétil e ejaculação.
Além destes medicamentos, as drogas utilizadas para tratamento da hipertensão arterial (alfametildopa, clonidina, reserpina, propanolol, atenolol, hidralazina e diuréticos) também podem causar disfunção erétil.
O consumo excessivo de álcool também leva a problemas de ereção por neuropatia periférica, devido à sua ação central. A maconha apresenta efeitos sobre os níveis de testosterona, podendo, quando usada de forma crônica, levar à disfunção erétil. A cocaína, por ação central e periférica, com lesão direta dos corpos cavernosos do pênis, também promove danos à função eretiva.
É importante lembrar que nos casos de disfunção erétil relacionados ao uso de medicamentos, a troca da medicação por alternativas de menor risco é uma boa opção para a resolução do problema. Converse com seu médico.
Emerson Pereira Gregório, urologista e titular da Sociedade Brasileira de Urologia





