Semanas atrás atendi um paciente que me chamou a atenção. O rapaz tem 28 anos, curso superior e é casado há alguns anos. Ele me contou que sua família é muito religiosa e ele, seguindo todos os preceitos de sua religião, casou-se virgem. O rapaz é saudável, tem ereção consistente, mas sofre de ejaculação precoce. Ele comentou que o problema está afetando sua vida sexual com a esposa, pois o sexo é tão rápido que não traz satisfação aos dois.
A ejaculação precoce atinge cerca de 30% dos homens no mundo todo. No Brasil, alguns estudos chegam a falar em 40%.
Mas, afinal, o que é a ejaculação precoce? Não existe um tempo específico antes de ejacular para definir esse problema sexual. Alguns homens ejaculam antes mesmo da penetração. Outros, logo após a penetração, provocando insatisfação a si próprio e à parceira.
Entre as causas, podemos citar o aumento da sensibilidade da glande peniana; ansiedade frente ao desempenho sexual; inexperiência sexual; primeira experiência com a parceira, que tenha estimulado um coito rápido; culpa ou sentimentos negativos em relação à parceira, a si próprio. Não existe uma causa específica comprovada cientificamente para explicar a ejaculação precoce.
No caso específico deste jovem, ele considera que a causa principal do seu problema seja a educação religiosa rígida que recebeu da família. Em muitas religiões, o sexo é visto apenas como um processo necessário para a procriação. Nada mais do que isso. Algumas dessas religiões ensinam às crianças que a masturbação, que é o início da descoberta do sexo e do aprendizado sobre o próprio corpo, é pecado. Sexo antes do casamento também é considerado pecado. Troca de carícias íntimas entre namorados é pecado.
Muitas pessoas que tiveram uma educação religiosa rigorosa carregam um grande sentimento de culpa em relação ao sexo. E esta culpa gera ansiedade e apreensão no momento da relação sexual, desencadeando, em alguns casos, a ejaculação precoce, provocando insatisfação e frustração. Neste caso, a religião acaba se transformando numa espécie de sensor da sexualidade. As igrejas deveriam se preocupar mais com o que ensinam sobre sexo. Cultivar o medo e a culpa pode provocar sérios problemas emocionais nas pessoas.

Márcio Dantas de Menezes, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual

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