A doença de Peyronie é caracterizada por uma curvatura no pênis durante a ereção, que pode atingir até 90 graus, dificultando, ou, até mesmo, impossibilitando o ato sexual.
A doença se caracteriza pelo desenvolvimento de uma placa de fibrose, em qualquer lugar do pênis. Os pacientes se referem a ela como um caroço que aparece na túnica albugínea, que reveste o corpo cavernoso. O problema pode estar associado à curvatura peniana ou dor durante a ereção. Geralmente, essa curvatura faz com que o pênis se posicione para cima, mas pode curvar-se também para o lado ou para baixo.
Não podemos confundir esta situação clínica com o pênis torto congênito, em que uma assimetria nos cilindros existe desde o nascimento. É preciso esclarecer que, quando ereto, o pênis não tem de formar um ângulo de 90 graus com o corpo. O pênis não é reto como uma régua, precisa ter curvaturas leves e eixo adequado para facilitar a penetração.
Inicialmente, a doença foi descrita em homens idosos (incidência de 3% a 4% nos homens acima de 50 anos), mas, hoje, sabe-se que pode acometer também os jovens. Além da doença de Peyronie, a curvatura do pênis pode surgir por outras razões: tumores (reto e próstata) podem provocar metástases no pênis e doenças congênitas. Há meninos que nascem com uma anomalia, o pênis curvo congênito.
As causas para o aparecimento da doença ainda não são muito conhecidas. Sabe-se, porém, que podem estar relacionadas a um traumatismo repetitivo, ocorrido durante a relação sexual, ou por um processo infeccioso inflamatório.
Não há registro de predisposição hereditária da doença, apesar de alguns trabalhos levantarem a hipótese. Na verdade, a doença de Peyronie é classificada como uma doença auto-imune, ou aquela em que o organismo produz substâncias contra seus próprios tecidos. A única evidência científica no momento é que são mais vulneráveis os portadores de doenças reumatológicas, diabéticos e indivíduos que fazem uso de betabloqueadores para controlar a hipertensão.
A doença de Peyronie não acarreta em nenhum problema à saúde do paciente. Traz consigo problemas para a sexualidade masculina. Portanto, se o paciente conseguir manter a atividade sexual normal, não há necessidade de tratamento.
O diagnóstico da doença é basicamente clínico. Na maioria das vezes, o nódulo é palpável e o paciente refere-se à curvatura do pênis e dor durante a ereção. Após o diagnóstico, a primeira etapa do tratamento é explicar ao paciente que aquele nódulo no pênis não é nem vai virar um tumor maligno (câncer), que raramente o levará a um quadro de impotência sexual.
A doença de Peyronie não provoca a esterilidade masculina. Em alguns casos, está associada à impotência sexual. Numa minoria de casos, uma forma muito agressiva da doença, sem causa conhecida, faz com que a placa estrangule de tal forma o corpo cavernoso, constituído por um tecido nobre parecido com uma esponja, que o indivíduo não consegue mais ter ereções. Para os indivíduos com curvatura peniana muito complexa, em forma de S, por exemplo, que impede a relação sexual, o tratamento extremo é a colocação de uma prótese, que retifica o pênis e facilita a penetração.

Ricardo Felts de La Roca, urologista (SP)

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