A fimose é definida como a incapacidade de exteriorização da glande. Esta situação pode ser de origem congênita (desde o nascimento) ou adquirida na idade adulta, por repetidos processos inflamatórios do prepúcio (pele que recobre a glande).
Desde o nascimento, a maioria das crianças apresenta uma certa dificuldade de expor a glande, conhecida como fimose fisiológica ou aderência; em 90% dos casos este tipo de fimose tem resolução espontânea.
A fimose pode evoluir com complicações como: infecções urinárias; balanopostites de repetição (inflamações do prepúcio); parafimose (estrangulamento da glande); transtornos no relacionamento sexual; dificuldade de higienização e até para urinar.
O paciente com fimose tem uma chance aumentada de contrair doenças sexualmente transmissíveis (HIV, sífilis, herpes genital, papiloma etc). Outras doenças estão relacionadas com a presença de fimose, como o câncer de pênis, mais comum em pacientes adultos, e o câncer do colo de útero nas parceiras, evidenciado pela menor incidência na comunidade judaica, em que os homens são submetidos à circuncisão já nos primeiros dias de vida.
O tratamento é realizado por meio do uso de pomadas locais nas aderências e em graus mais leves de fimose.
A cirurgia (postectomia ou circuncisão), uma das mais antigas já descritas, com referência desde o Antigo Testamento, consiste na ressecção (retirada) do anel fimótico (ponto de estreitamento do prepúcio), respeitando rigorosos critérios médicos.
Em crianças, esperamos o abandono do uso das fraldas para a cirurgia, e sempre é recomendada quando não houver resolução espontânea ou após o tratamento clínico com pomadas ou cremes não surtir efeito.
A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar, sendo um procedimento seguro e rápido, porém, não isento de complicações em uma baixa porcentagem, como sangramentos no local, hematomas e infecções.
Mitos e Verdades
- Mito: a cirurgia de fimose leva a disfunções sexuais futuras
- Verdade: a cirurgia para correção da fimose previne doenças como câncer de pênis e HIV

Farid Libos Junior, urologista

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