Sexo & Comportamento
Falar não é tarefa fácil. Apesar da consciência que as pessoas têm de que o diálogo é necessário, quando o relacionamento não caminha de forma tão satisfatória, os parceiros tendem a temer a reação do outro e, com isso, a falta de comunicação acaba criando um obstáculo entre eles.
Para usufruir do bom hábito de comunicar-se, é necessário vencer as barreiras que persistem de longa data, em especial em nossa formação sexual. Há algumas décadas, o assunto sexo era considerado impróprio para uma discussão em família. A educação sexual aparecia nas noções científicas sobre reprodução e o prazer era condenado. A própria idéia de corpo é considerada um invento moderno. Apareceu no final do século 19, pois antes a idéia era de que só se conseguia a vida eterna amputando a carne para preservar o espírito. Tudo que estava ligado ao corpo era tratado como carne e considerado perversão.
Herdeiros dessa trajetória histórica, é comum homens e mulheres sentirem-se embaraçados quando têm de transmitir algo que envolva suas sensações eróticas. Ainda mais quando os termos utilizados pelo senso comum para definir os genitais feminino e masculino são um exemplo do quanto o diálogo do casal sobre questões sexuais pode ser evitado por dificuldade de dar um nome neutro para se referir ao assunto.
Diferente dos termos técnicos considerados neutros pênis, vagina, coito , as expressões mais usadas para fazer referência aos órgãos sexuais podem ser dispensadas para o diálogo a dois devido ao caráter obsceno que as revestem. A alternativa encontrada para tal impasse é a de muitas veze silenciar. O que nem sempre se pondera é que o silêncio também comunica. Transmite a mensagem de que não se deve tocar no assunto.
Ocorre que se o relacionamento sexual não está satisfatório para um, para o outro dificilmente estará. Nesse sentido, é preciso que um tome a iniciativa de abordar a questão para que o outro se sinta à vontade para se expor também. A abertura para o diálogo permite inaugurar um espaço de confiança na relação a dois.
Porém, é importante lembrar que o jeito de se transmitir as coisas para o outro tem um peso fundamental. Se o diálogo contribui para a remoção da inibição, o como comunicar as insatisfações é o que determina os desfechos mais, ou menos, satisfatórios.
Uma conversa pode ser útil, inclusive, para o casal admitir a necessidade de procurar ajuda de um psicólogo ou terapeuta sexual. A exposição franca dos desejos e necessidades de cada um permitem a entrega e a integração no ato sexual. E isso só é possível com respeito, amor e muita disposição para a troca sincera de palavras elogiosas entre os parceiros.
Margareth Reis, psicóloga clínica e terapeuta sexual no Instituto H. Ellis (SP)





