Sexo & Comportamento
A hiperplasia prostática ou HPB, como é conhecida, consiste no crescimento benigno da próstata, que se inicia em indivíduos com idade próxima dos 40 anos e atinge quase 70% dos homens aos 70 anos de idade. Esta doença não está relacionada ao câncer da próstata, é independente, mas acomete indivíduos na mesma faixa etária, por isso é importante fazer o preventivo de doenças da próstata e não apenas do câncer.
A uretra é responsável pela condução da urina desde a bexiga até o meio externo. Os sintomas provocados pela HPB ocorrem pela obstrução do canal uretral, pelo crescimento da região central da glândula prostática e pode se manifestar como jato fraco, às vezes interrompido, gotejamento terminal e micções a intervalos curtos. Não é raro esses homens se queixarem de disfunção sexual como diminuição do volume do ejaculado e mesmo dificuldades para ter e manter ereção.
O mecanismo pelo qual ocorre a disfunção da ejaculação parece estar relacionado ao fato de que na HPB o crescimento da parte central da glândula comprime os ácinos prostáticos, que são os responsáveis pela produção da secreção prostática e com isso o volume do líquido ejaculado sofre diminuição.
Já a dificuldade em ter e manter a ereção ainda não está bem clara, mas parece estar relacionada à tensão que ocorre na região, com a liberação de mediadores químicos que interferem nas vias da PDE-5, que é a via responsável pela ereção.
O tratamento clínico da HPB atua basicamente de duas formas: uma é por meio de drogas como a finasteride e dutasteride, que são capazes de diminuir o tamanho da glândula, e a outra é atuando no componente muscular da glândula, que apresenta uma quantidade grande de receptores para adrenalina.
Assim, as drogas que inibem estes receptores como doxasozina e tansulosina podem promover o relaxamento desta musculatura e permitir que se possa urinar bem. Em apenas 10% dos pacientes há necessidade de tratamento cirúrgico, no qual se remove a parte crescida da próstata.
O tratamento clínico ou cirúrgico tende a melhorar a função erétil, mas nem sempre a ejaculatória, pois tanto os medicamentos como a cirurgia podem relaxar o colo da bexiga, o que permite que o líquido do ejaculado drene mais facilmente para dentro da bexiga, resultando na ejaculação retrógrada, ou seja, não há emissão externa do esperma.
Mitos e Verdades
- Mito: o tratamento cirúrgico da próstata leva sempre à impotência sexual
- Verdade: o tratamento cirúrgico da HPB pode melhorar a função erétil, embora possa resultar em disfunção ejaculatória. Já o tratamento cirúrgico do câncer da próstata pode resultar em impotência sexual, em 10% a 90% das vezes
Horácio de Alvarenga Moreira, urologista





