O priapismo é definido como uma ereção anormal, que se prolonga além do ato sexual ou sem relação com o mesmo. Exceto em alguns casos específicos menos comuns, o priapismo é sempre doloroso, podendo ocorrer em qualquer idade (mesmo em recém-nascidos).
  Existem dois tipos de priapismo, o isquêmico e o não-isquêmico. O priapismo não-isquêmico, ou arterial, é bem menos comum. Está relacionado a traumas na região do períneo, não causa dor e não leva à isquemia (falta de oxigenação) dos corpos cavernosos.
  Já o priapismo isquêmico, ou venoso, é o mais visto na prática médica e será discutido a seguir. Existem várias causas e as mais comuns estão enumeradas a seguir:
  - Primário ou idiopático: o mais freqüente. São assim chamados os casos sem causa definida.
  - Anemia falciforme: tipo hereditário de anemia, relacionado à raça negra. Leva à produção de uma molécula de hemoglobina defeituosa, que gera glóbulos vermelhos irregulares e provoca trombose (obstrução) de pequenos vasos sangüíneos. Quando esta obstrução acontece nos corpos cavernosos do pênis, pode ocorrer o priapismo. É a causa mais comum de priapismo em crianças e adolescentes.
  - Injeção intracavernosa: uma das modalidades no tratamento da impotência sexual é o uso de drogas injetadas diretamente no pênis. Um dos efeitos colaterais dessas medicações é o prolongamento da ereção além do necessário, causando o priapismo. Mais comum na faixa dos 20 aos 50 anos.
  Outras causas menos comuns de priapismo são o uso de drogas e medicações (álcool, cocaína, psicotrópicos, hormônios, antidepressivos); alguns tipos de câncer metastático (próstata, bexiga, pulmão); traumatismo da medula espinhal, toxinas e infecções (raiva, malária, picada de escorpião).
  O tratamento do priapismo venoso deve ser imediato, pois a partir de 4 horas do início do quadro a isquemia dos corpos cavernosos deflagra um processo de fibrose (cicatrização) irreversível, e conseqüente impotência sexual.
  Além de medidas clínicas como hidratação e suspensão das drogas relacionadas, o tratamento do priapismo geralmente requer punção do pênis com agulha e esvaziamento dos corpos cavernosos. Em alguns casos é necessária a injeção de drogas nos corpos cavernosos. A cirurgia para o priapismo, que envolve o desvio do sangue acumulado, só é indicada em último caso.

Mitos e Verdades
  - Mito: relações sexuais repetidas podem levar ao priapismo
  - Verdade: não existe este risco, mesmo porque o priapismo geralmente acontece sem estímulo sexual

Juliano Plastina, urologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia

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