Sou pessoa física e sempre contrato serviço de terceiros para reparos. Em caso de acidente a responsabilidade será minha?

  O con­tra­to fir­ma­do en­tre a to­ma­do­ra do ser­vi­ço e o pres­ta­dor de ser­vi­ços de­no­mi­na-se Con­tra­to de Pres­ta­ção de Ser­vi­ços, re­gu­la­do pe­lo Có­di­go Ci­vil Bra­si­lei­ro. O pres­ta­dor é pes­soa es­pe­cia­li­za­da em de­ter­mi­na­da ­área (ele­tri­cis­ta, en­ca­na­dor, pin­tor e etc.), que lo­ca ­seus ser­vi­ços por pra­zo de­ter­mi­na­do, não ha­ven­do no pre­sen­te ca­so ne­nhu­ma re­la­ção de vín­cu­lo de em­pre­go.
  So­men­te há re­la­ção de em­pre­go quan­do preen­chi­do os re­qui­si­tos do art. 3º da Con­so­li­da­ção das ­Leis do Tra­ba­lho (CLT), que são: pes­soa fí­si­ca, que pres­te ser­vi­ço con­ti­nua­men­te, a em­pre­ga­dor, sob a de­pen­dên­cia des­te (su­jei­ção hie­rár­qui­ca) e me­dian­te sa­lá­rio.
  Em­bo­ra ha­ja o pa­ga­men­to de re­tri­bui­ção pe­lo ser­vi­ço pres­ta­do, ine­xis­te su­jei­ção hie­rár­qui­ca (su­bor­di­na­ção), mui­to me­nos re­la­ção de de­pen­dên­cia eco­nô­mi­ca em re­la­ção ao to­ma­dor do ser­vi­ço, ­pois o to­ma­dor é ape­nas um dos clien­tes do pres­ta­dor.
  Pa­ra que a pres­ta­ção dos ser­vi­ços trans­cor­ra sem de­mais ‘‘­problemas’’, faz-se ne­ces­sá­ria a rea­li­za­ção de con­tra­to, on­de cons­te de­ta­lha­da­men­te: pra­zo de iní­cio e tér­mi­no do ser­vi­ço, va­lor a ser pa­go pe­lo ser­vi­ço, o (s) ser­vi­ço (s) a ser (em) rea­li­za­do (s), bem co­mo, res­pon­sa­bi­li­da­des das par­tes.
  Tam­bém de­ve-se ob­ser­var que o pre­sen­te con­tra­to não se­ja fir­ma­do por pra­zo ­maior do que qua­tro ­anos, ­pois de­cor­ri­do es­se pra­zo, o con­tra­to nos ter­mos do Có­di­go Ci­vil se­rá ti­do por fin­do.
  No ca­so de o pres­ta­dor de ser­vi­ços so­frer al­gum aci­den­te du­ran­te a pres­ta­ção, des­de que não ha­ja con­cor­rên­cia do to­ma­dor pa­ra o aci­den­te (do­lo - in­ten­ção de cau­sar o da­no; ou cul­pa - quan­do o to­ma­dor do ser­vi­ço age com ne­gli­gên­cia, im­pru­dên­cia e im­pe­rí­cia), não há ne­nhu­ma res­pon­sa­bi­li­da­de des­te, co­mo vem sen­do de­ci­di­do nos tri­bu­nais, po­den­do em al­guns pou­cos ca­sos ter res­pon­sa­bi­li­da­de sub­si­diá­ria.
  Mes­mo ha­ven­do cul­pa ou do­lo do to­ma­dor do ser­vi­ço, de­ve­rá ha­ver ­ação ju­di­cial com o fim de se pro­var a exis­tên­cia de cul­pa/do­lo do to­ma­dor do ser­vi­ço.
Fernando Pamplona Oliveira - advogado (Londrina)

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