Completei 21 anos neste ano e ingressei na faculdade. O governo suspendeu a pensão previdenciária deixada por meu pai por ser maior de idade. Por estar cursando ensino superior não poderia continuar com o benefício?

  De­pen­de. Pa­ra os ser­vi­do­res pú­bli­cos, per­ten­cen­tes ao re­gi­me es­ta­tuá­rio de pre­vi­dên­cia, é ga­ran­ti­da a pen­são por mor­te ao fi­lho de­pen­den­te, ­maior de 21 ­anos e me­nor de 25, des­de que com­pro­va­da­men­te de­mons­tre cur­sar en­si­no su­pe­rior. Já pa­ra os de­pen­den­tes do se­gu­ra­do fi­lia­do ao Re­gi­me Ge­ral da Pre­vi­dên­cia So­cial (­RGPS) - ­INSS - que cui­da do sis­te­ma pre­vi­den­ciá­rio da maio­ria dos tra­ba­lha­do­res - tal pos­si­bi­li­da­de tem se di­ri­gi­do, em boa par­te dos ca­sos, de ma­nei­ra bem re­mo­ta.
  Ar­gu­men­tam os ju­ris­tas que a lei, de acor­do com o art. 77, pa­rá­gra­fo 2º, in­ci­so II, as­se­gu­ra a des­ti­na­ção de pen­são por mor­te ao fi­lho, aci­ma de 21 ­anos, so­men­te se es­te for in­vá­li­do. Do mes­mo mo­do, se uti­li­zam da sú­mu­la 37 e 74 do Tri­bu­nal Re­gio­nal Fe­de­ral da 4ªRe­gião, ao ver­sar, res­pec­ti­va­men­te, que: ‘‘a pen­são por mor­te, de­vi­da ao fi­lho até os 21 ­anos de ida­de, não se pror­ro­ga por pen­dên­cia de cur­so ­universitário’’; e, ‘‘ex­tin­gue-se o di­rei­to à pen­são pre­vi­den­ciá­ria por mor­te do de­pen­den­te que atin­ge 21 ­anos, ain­da que es­tu­dan­te de cur­so ­superior’’.
  O pro­je­to de lei, PLS 49/08, pre­ten­de al­te­rar as ­leis da pre­vi­dên­cia e da as­sis­tên­cia so­cial e ga­ran­tir o di­rei­to de que o fi­lho uni­ver­si­tá­rio, ­maior de 21 ­anos e me­nor de 25, te­nha di­rei­to ao re­ce­bi­men­to da pen­são pre­vi­den­ciá­ria, as­sim co­mo ocor­re no Di­rei­to ci­vil ao tra­tar da pen­são de ali­men­tos, por men­cio­nar ser in­jus­to pre­ju­di­car os es­tu­dos des­te.
  Con­tu­do, en­quan­to tal mo­di­fi­ca­ção não ocor­re, só é de­vi­do a pen­são por mor­te, no ca­so em te­la, se o pai fos­se ser­vi­dor pú­bli­co. To­da­via, se as con­tri­bui­ções pre­vi­den­ciá­rias do pai fos­sem ver­ti­das jun­to ao ­INSS, a pos­si­bi­li­da­de de con­ces­são da pen­são pre­vi­den­ciá­ria, na atua­li­da­de, é qua­se nu­la.
André Benedetti - advogado (Londrina)

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