É correto o procedimento de empresas que contratam empregados após um ‘‘teste’’? Há casos em que os candidatos à vaga trabalham por meio período na empresa, e somente é contratado aquele que obteve melhor desempenho. Aqueles que não foram contratados trabalharam sem receber. Isso é possível?
  O fa­to é que pre­ce­den­do a con­tra­ta­ção efe­ti­va de tra­ba­lha­do­res, mui­tos em­pre­ga­do­res ado­tam for­mas de re­cru­ta­men­to e se­le­ção. Es­ta úl­ti­ma ge­ral­men­te é es­sen­cial ao re­gu­lar fun­cio­na­men­to do em­preen­di­men­to, ten­do em vis­ta que per­mi­te ao em­pre­ga­dor afe­rir a ca­pa­ci­da­de téc­ni­ca do can­di­da­to, per­ce­ben­do a pos­sí­vel ade­qua­ção em seu qua­dro fun­cio­nal.
  Ocor­re que es­ta fa­se de se­le­ção, não po­de ul­tra­pas­sar os li­mi­tes de afe­ri­ção das qua­li­da­des e vir­tu­des do can­di­da­to, não po­den­do ser­vir co­mo for­ma de tra­ba­lho tem­po­rá­rio, mes­mo que por ­meio pe­río­do.
  Se­guin­do es­te ra­cio­cí­nio, po­de­mos en­ten­der que a em­pre­sa não po­de, a tí­tu­lo de se­le­ção de em­pre­ga­dos, im­por ati­vi­da­des re­gu­la­res do em­preen­di­men­to, e, ain­da te­nha da sua exe­cu­ção ex­clu­si­vo pro­vei­to. Com­pa­tí­vel com a fa­se de se­le­ção e, no má­xi­mo, si­mu­la­ções do co­ti­dia­no, sen­do que sua exe­cu­ção, ain­da que cor­re­ta pe­lo can­di­da­to, não de­ve­rá ser apro­vei­ta­da pe­la em­pre­sa.
  A afe­ri­ção de sua pro­du­ti­vi­da­de e adap­ta­ção ao am­bien­te da em­pre­sa, den­tre ou­tras ca­rac­te­rís­ti­cas ine­ren­tes ao vín­cu­lo, de­vem ser ava­lia­das, se for o ca­so, em con­tra­to de ex­pe­riên­cia, ins­ti­tu­to pre­vis­to no art. 443 da CLT, des­ti­na­do ex­clu­si­va­men­te a es­te fim.
  No­te-se que o pro­ce­der ado­ta­do por es­tas em­pre­sas, efe­ti­va­men­te ca­rac­te­ri­za o vín­cu­lo em­pre­ga­tí­cio, ­pois a em­pre­sa con­tra­tan­te es­tá agin­do co­mo em­pre­ga­do­ra, na for­ma dis­pos­ta pe­lo art. 2º da CLT.
  Em fa­ce dis­so, fi­ca a em­pre­sa obri­ga­da a re­gis­trar o em­pre­ga­do, mes­mo que por um úni­co dia, pro­ce­den­do aos re­co­lhi­men­tos pre­vi­den­ciá­rios e fun­diá­rios com­pa­tí­veis. Ain­da, man­ten­do o ir­re­gu­lar pro­ce­der, pos­sí­vel se­rá a de­nún­cia ao Mi­nis­té­rio do Tra­ba­lho, fis­ca­li­za­ção que su­jei­ta­rá a em­pre­sa às mul­tas ad­mi­nis­tra­ti­vas com­pe­ten­tes.
Karine Rocha, advogada (Londrina)

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