Co­mo fun­cio­na o adi­cio­nal no­tur­no? As ho­ras tra­ba­lha­das ­após as 5 ho­ras da ma­nhã tam­bém re­ce­bem tal adi­cio­nal?

  A Cons­ti­tui­ção Fe­de­ral, em seu ar­ti­go 7º, in­ci­so IX, es­ta­be­le­ce que os tra­ba­lha­do­res que rea­li­zam jor­na­da no­tur­na de­vem re­ce­ber uma re­mu­ne­ra­ção ­maior do que aque­les que rea­li­zam jor­na­da diur­na. Is­so por­que con­si­de­ra-se o tra­ba­lho no­tur­no ­mais des­gas­tan­te do que o tra­ba­lho diur­no.
  En­ten­de-se que a pes­soa que tra­ba­lha à noi­te de­ve re­ce­ber o adi­cio­nal no­tur­no, que tra­ta-se de um adi­cio­nal de (no mí­ni­mo) 20% so­bre o va­lor da ho­ra diur­na (es­te per­cen­tual po­de ser ­maior, de­pen­den­do de acor­do ou con­ven­ção co­le­ti­va de tra­ba­lho).
  Têm di­rei­to a re­ce­ber tal adi­cio­nal to­dos aque­les tra­ba­lha­do­res cu­ja jor­na­da de tra­ba­lho é rea­li­za­da en­tre as 22 ho­ras de um dia até as 5 ho­ras da ma­nhã do dia se­guin­te (nas ati­vi­da­des ru­rais, é con­si­de­ra­do no­tur­no o tra­ba­lho exe­cu­ta­do na la­vou­ra en­tre 21 ho­ras de um dia às 5 ho­ras ho­ras do dia se­guin­te, e na pe­cuá­ria en­tre 20 ho­ras às 4 ho­ras do dia se­guin­te).
  Acon­te­ce que mui­tos tra­ba­lha­do­res co­me­çam sua jor­na­da na par­te da noi­te e tra­ba­lham até de­pois das 5 ho­ras da ma­nhã. E fo­ram tan­tos ca­sos de tra­ba­lha­do­res exi­gin­do na Jus­ti­ça o di­rei­to pe­lo adi­cio­nal no­tur­no pe­las ho­ras tra­ba­lha­das até de­pois das 5 da ma­nhã, que o pró­prio Tri­bu­nal Su­pe­rior do Tra­ba­lho de­ci­diu por pa­ci­fi­car o as­sun­to edi­tan­do uma sú­mu­la.
  Tra­ta-se da sú­mu­la do TST 60, que de­ter­mi­na, em seu in­ci­so II, que ‘‘Cum­pri­da in­te­gral­men­te a jor­na­da no pe­río­do no­tur­no e pror­ro­ga­da es­ta, de­vi­do é tam­bém o adi­cio­nal quan­to às ho­ras ­prorrogadas’’. Ou se­ja, os tra­ba­lha­do­res cu­ja jor­na­da de tra­ba­lho atra­ves­sa a noi­te e vai até de­pois das 5 ho­ras da ma­nhã têm o di­rei­to de re­ce­ber adi­cio­nal no­tur­no de no mí­ni­mo 20%, tam­bém so­bre as ho­ras tra­ba­lha­das ­após tal ho­rá­rio.

Ga­briel No­guei­ra Mi­ran­da ad­vo­ga­do (Lon­dri­na)

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