Desisti de comprar um imóvel enquanto pagava,
mas a empresa quer devolver o dinheiro de forma parcelada e descontar valores que dizem ser referentes a multas. Isso é legal?



  Não há uma pre­vi­são le­gal pa­ra o ca­so, con­tu­do, o gran­de nú­me­ro de ca­sos si­mi­la­res a es­te fez a ju­ris­pru­dên­cia (de­ci­sões dos juí­zes) se uni­for­mi­zar. Por se tra­ta­rem de con­tra­tos de lon­ga du­ra­ção, on­de as par­ce­las so­bem in­de­pen­den­te­men­te da si­tua­ção eco­nô­mi­ca do con­su­mi­dor, mui­tas ve­zes o pa­ga­men­to em dia se tor­na im­pos­sí­vel e o úni­co ca­mi­nho que res­ta é o da de­sis­tên­cia do ne­gó­cio.
  Em ca­sos as­sim, o pro­ble­ma sur­ge na ho­ra da de­vo­lu­ção do di­nhei­ro, uma vez que, con­for­me o ca­so do lei­tor, as em­pre­sas ven­de­do­ras so­men­te acei­tam a res­ti­tui­ção par­ce­la­da e com a apli­ca­ção de di­ver­sas mul­tas.
  Mes­mo que es­ses con­tra­tos pre­ve­jam mul­tas, cláu­su­las pe­nais, den­tre ou­tras re­ten­ções de va­lo­res, es­tas dis­po­si­ções são anu­la­das pe­la via ju­di­cial, em vis­ta de se tra­tar de prá­ti­ca abu­si­va con­tra o con­su­mi­dor e de en­ri­que­ci­men­to ilí­ci­to do ven­de­dor.
  Os tri­bu­nais bra­si­lei­ros têm de­ci­di­do pe­la de­vo­lu­ção ime­dia­ta e à vis­ta dos va­lo­res já pa­gos, ­além de per­mi­ti­rem a re­ten­ção má­xi­ma de va­lo­res em 10% so­bre aqui­lo que já foi pa­go. Se­gun­do os tri­bu­nais, tal re­ten­ção tem na­tu­re­za de ta­xa de ad­mi­nis­tra­ção. In­fe­liz­men­te os con­su­mi­do­res e as em­pre­sas que ven­dem imó­veis não ­agem da mes­ma for­ma que o en­ten­di­men­to dos tri­bu­nais.
  A úni­ca for­ma de se con­se­guir uma res­ti­tui­ção à vis­ta e re­ten­ção má­xi­ma de va­lo­res em 10% é atra­vés da pro­po­si­tu­ra de uma ­ação ju­di­cial que bus­que a nu­li­da­de de ­tais cláu­su­las con­tra­tuais abu­si­vas.
  Os con­su­mi­do­res que se en­con­tra­rem em si­tua­ção se­me­lhan­te a do lei­tor de­vem bus­car a de­fen­so­ria pú­bli­ca ou um ad­vo­ga­do pa­ra po­de­rem re­cla­mar ­seus di­rei­tos e exi­gi­rem a de­vo­lu­ção ime­dia­ta dos va­lo­res pa­gos, os ­quais de­vem ser cor­ri­gi­dos e acres­ci­dos de ju­ros.

Ga­briel No­guei­ra Mi­ran­da - ad­vo­ga­do (Lon­dri­na)

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