Por que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela não-exigibilidade do diploma para os jornalistas? É possível recorrer desta decisão

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  Quan­do o Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral (STF) en­ten­de que uma lei es­tá em de­sa­cor­do com a Cons­ti­tui­ção, es­ta lei tem sua exe­cu­ção sus­pen­sa.
  No ca­so dos jor­na­lis­tas, hou­ve de­ci­são no Re­cur­so Ex­traor­di­ná­rio 511961/SP, de re­la­to­ria do Mi­nis­tro Gil­mar Men­des. A dis­cus­são gi­ra­va em tor­no da re­cep­ção do De­cre­to-lei 972/69 pe­la Cons­ti­tui­ção de 1988.
  O De­cre­to-lei 972/69 em seu art. 4º, V, exi­gia o di­plo­ma de cur­so su­pe­rior em jor­na­lis­mo, re­gis­tra­do no Mi­nis­té­rio da Edu­ca­ção, pa­ra o exer­cí­cio da pro­fis­são de jor­na­lis­ta. De seu tur­no, o art. 5º, ­XIII da Cons­ti­tui­ção ins­ti­tui a li­ber­da­de de qual­quer tra­ba­lho, ofí­cio ou pro­fis­são, aten­di­das as qua­li­fi­ca­ções pro­fis­sio­nais que a lei es­ta­be­le­cer. Ain­da, o art. 220 da Cons­ti­tui­ção de­ter­mi­na que a ma­ni­fes­ta­ção do pen­sa­men­to, a cria­ção, a ex­pres­são e a in­for­ma­ção não so­fre­rão qual­quer res­tri­ção.
  O STF en­ten­deu que a exi­gên­cia do di­plo­ma de cur­so su­pe­rior pa­ra o jor­na­lis­ta se­ria uma for­ma de res­tri­ção à li­ber­da­de de im­pren­sa. De­ci­diu-se que o abu­so da li­ber­da­de de ex­pres­são não po­de ser ob­je­to de con­tro­le pré­vio, co­mo ocor­re­ria com a exi­gên­cia do di­plo­ma, mas de res­pon­sa­bi­li­za­ção ci­vil e pe­nal, sem­pre pos­te­rior à di­vul­ga­ção da in­for­ma­ção.
  Por fim, o STF re­lem­brou que o De­cre­to-lei 972/69 foi edi­ta­do du­ran­te o re­gi­me di­ta­to­rial, ins­ti­tuí­do pe­lo Ato Ins­ti­tu­cio­nal nº. 5/68 (AI-5) com o cla­ro ob­je­ti­vo de afas­tar dos ­meios de co­mu­ni­ca­ção in­te­lec­tuais, po­lí­ti­cos e ar­tis­tas opo­si­to­res do re­gi­me mi­li­tar.
  A úni­ca for­ma de re­ver­ter os efei­tos da de­ci­são do STF é por ­meio da edi­ção de uma no­va lei. Pa­ra tan­to, foi pro­to­co­la­da pe­lo de­pu­ta­do Pau­lo Pi­men­ta (PT-RS) uma Pro­pos­ta de Emen­da à Cons­ti­tui­ção (PEC) 386/2009, que vi­sa res­ti­tuir a exi­gên­cia do di­plo­ma de jor­na­lis­mo. Em sua pro­pos­ta, o de­pu­ta­do de­fen­de que a exi­gên­cia do di­plo­ma não cons­ti­tui res­tri­ção à li­ber­da­de de in­for­ma­ção. O que im­pe­di­ria o exer­cí­cio des­se di­rei­to, se­gun­do ele, é a con­cen­tra­ção da mí­dia nas ­mãos de pou­cos gru­pos, a orien­ta­ção edi­to­rial dos veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção, a di­ta­du­ra dos anun­cian­tes e a di­ta­du­ra do mer­ca­do.
Karla Saory Moriya Nidahara - Advogada (Londrina)

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