Como empresário, recebo muitos calotes
por meio de cheques e notas. Como faço para
reaver meu prejuízo na justiça?


  Es­te pro­ble­ma é mui­to ha­bi­tual no ­meio em­pre­sa­rial. Mui­tas pes­soas, por não te­rem mui­to co­nhe­ci­men­to de co­mo se pre­ca­ver de um ca­lo­te, ou ain­da se pre­ve­nir de ‘‘­maus ­pagadores’’, aca­bam ar­can­do com o pre­juí­zo de­cor­ren­te des­sas si­tua­ções.
  Che­ques, no­tas pro­mis­só­rias, du­pli­ca­tas, le­tras de câm­bio e al­gu­mas for­mas de con­tra­to, são tí­tu­los de cré­di­to ex­tra­ju­di­cial, e po­dem ser exe­cu­ta­dos em juí­zo. Po­rém é ne­ces­sá­rio ob­ser­var al­guns de­ta­lhes pa­ra des­co­brir ­qual ­ação ca­bí­vel em ca­da ca­so.
  Nos ca­sos de che­ques, es­tes pos­suem for­ça de tí­tu­los exe­cu­ti­vos e po­dem ser exe­cu­ta­dos di­re­ta­men­te, sem a ne­ces­si­da­de de um pro­ces­so pa­ra dis­cu­tir a dí­vi­da. No en­tan­to, o che­que pos­sui um pra­zo pres­cri­cio­nal in­fe­rior aos de­mais tí­tu­los exe­cu­ti­vos, por se tra­tar de uma or­dem de pa­ga­men­to à vis­ta e pos­suir lei es­pe­cial (Lei nº. 7357/85). Es­sa for­ça de tí­tu­lo exe­cu­ti­vo se per­de ­seis me­ses ­após pra­zo da da­ta de apre­sen­ta­ção do che­que.
  Já os de­mais tí­tu­los exe­cu­ti­vos ex­tra­ju­di­ciais (du­pli­ca­tas, le­tras de câm­bio e no­tas pro­mis­só­rias) pos­suem um pra­zo ­maior pa­ra ser exe­cu­ta­dos, que são de ­três ­anos a con­tar da da­ta de ven­ci­men­to. Ca­so es­tes pra­zos pres­cre­vam, ain­da po­de­rá ser in­ter­pos­ta uma ­ação cog­ni­ti­va (de co­bran­ça ou mo­ni­tó­ria), on­de ha­ve­rá en­tão a dis­cus­são da dí­vi­da, e de­ve­rá ser apre­sen­ta­do o his­tó­ri­co e a ori­gem do cré­di­to plei­tea­do (sal­vo nos ca­sos de lo­cu­ple­ta­men­to ilí­ci­to pa­ra che­ques).
  Va­le ain­da uma di­ca de co­mo uti­li­zar o pro­tes­to de tí­tu­lo a seu fa­vor. Em al­gu­mas con­di­ções, o pro­tes­to in­ter­rom­pe o pra­zo pres­cri­cio­nal. As­sim sen­do, se hou­ver pro­tes­to, por exem­plo, de uma du­pli­ca­ta, no­ta pro­mis­só­ria ou le­tra de câm­bio no úl­ti­mo dia an­tes de dar os ­três ­anos, o pra­zo se in­ter­rom­pe­rá e te­rá en­tão ­mais ­três ­anos pa­ra in­ten­tar a ­ação exe­cu­ti­va fa­ce ao de­ve­dor prin­ci­pal e ­seus ava­lis­tas, bem co­mo em fa­ce do sa­ca­dor da le­tra de câm­bio e da no­ta pro­mis­só­ria. O pra­zo pres­cri­cio­nal pa­ra ­ação de exe­cu­ção di­re­ta po­de­rá se es­ten­der pa­ra ­seis ­anos.
  É bom ter um ju­rí­di­co fi­xo em sua em­pre­sa, pa­ra ob­ter orien­ta­ções que, as­sim co­mo es­tas, exis­tem pa­ra ob­ter êxi­to em re­la­ção às co­bran­ças de dí­vi­das e de­mais ma­té­rias do ­meio ju­rí­di­co e em­pre­sa­rial.
Fernando Sasaki - Advogado (Londrina)

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