Minha tia ficou viúva há um mês, não tem filhos e era casada em comunhão universal de bens. Os bens e uma poupança estão no nome dos dois. A herança é transferida automaticamente para o cônjuge viúvo?

  O in­ven­tá­rio se faz ne­ces­sá­rio mes­mo exis­tin­do um úni­co her­dei­ro. Os her­dei­ros, ape­sar de se­rem ti­tu­la­res dos ­bens da he­ran­ça, so­men­te po­de­rão ma­te­ria­li­zar es­ses di­rei­tos no pro­ce­di­men­to de in­ven­tá­rio.
  A Lei n. 11.441, de 04/01/2007, au­to­ri­za o in­ven­tá­rio e a par­ti­lha por es­cri­tu­ra pú­bli­ca, no ­qual cons­ti­tui­rá tí­tu­lo há­bil pa­ra o re­gis­tro imo­bi­liá­rio. A pos­si­bi­li­da­de de rea­li­za­ção por es­cri­tu­ra pú­bli­ca é uma fa­cul­da­de das par­tes, não ha­ven­do a ne­ces­si­da­de de ho­mo­lo­ga­ção ju­di­cial, ex­ce­to quan­do hou­ver tes­ta­men­to ou in­te­res­sa­dos in­ca­pa­zes.
  Ao tra­tar-se de her­dei­ro côn­ju­ge, im­por­tan­te des­ta­car que a he­ran­ça não se con­fun­de com a mea­ção. A exis­tên­cia de mea­ção e do seu mon­tan­te de­pen­de­rá do re­gi­me de ­bens do ca­sa­men­to. Na co­mu­nhão uni­ver­sal to­do o pa­tri­mô­nio é di­vi­di­do ao ­meio, ­pois es­ta por­ção ­ideal do pa­tri­mô­nio já lhe per­ten­ce. Ex­cluí­da a mea­ção, o res­tan­te do mon­tan­te de­no­mi­na­do de le­gí­ti­ma per­ten­ce­rá aos her­dei­ros ne­ces­sá­rios.
  A or­dem de vo­ca­ção he­re­di­tá­ria es­tá pre­vis­ta no ar­ti­go 1829 do Có­di­go Ci­vil. Pe­la or­dem o côn­ju­ge é co­lo­ca­do em ter­cei­ro lu­gar, to­da­via, quan­do não hou­ver des­cen­den­tes e as­cen­den­tes do de cu­jus, re­ce­be­rá a he­ran­ça in­te­gral­men­te.
  Nes­te ca­so, de­vi­do à au­sên­cia de des­cen­den­tes e as­cen­den­tes, a es­cri­tu­ra se­rá de in­ven­tá­rio e ad­ju­di­ca­ção de ­bens, não há par­ti­lha, ha­ja vis­ta, a pre­sen­ça de so­men­te um in­te­res­sa­do, a viú­va.
An­dre­za D. Mo­raes Cal­dei­ra
– ad­vo­ga­da es­pe­cia­lis­ta em di­rei­to e pro­ces­so ci­vil (Lon­dri­na)

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